A sequência de lesões graves no elenco feminino fez o Cruzeiro promover uma análise interna dos processos adotados pelo departamento ao longo da temporada.
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Em entrevista à Samuca TV e ao Central da Toca, Luiza Parreiras, gerente de futebol feminino do clube, detalhou o diagnóstico feito pela Raposa e revelou mudanças implementadas após os seis casos de lesão no ligamento cruzado anterior (LCA) registrados em 2026.
De acordo com Luiza, o Cruzeiro reuniu informações das atletas lesionadas desde o início da pré-temporada. Foram analisados questionários de pré e pós-treino, dados de GPS, percentual de gordura, testes de força e outros indicadores. O trabalho também envolveu profissionais do futebol masculino e a coordenação do departamento médico.
Após a lesão de Paloma Maciel, a mais recente entre os casos, o clube também realizou uma reunião com profissionais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para discutir os dados da zagueira, que estava a serviço da Seleção na época, e comparar os protocolos adotados.
Cruzeiro identificou carga como ponto de atenção
A análise realizada pelo Cruzeiro não apontou uma causa única para a sequência de lesões. Segundo Luiza, porém, a distribuição das cargas ao longo da temporada apareceu como um dos pontos de atenção, principalmente pela alternância entre períodos com intervalos curtos e longos entre as partidas.
A gerente citou como exemplo a vitória sobre o Corinthians, em Sete Lagoas, em maio, quando as atletas atingiram um dos maiores picos da temporada em indicadores como sprints, acelerações e desacelerações. Posteriormente, diante do Vitória, Tainara e Laura Felipe sofreram lesões na mesma partida.
“Entendemos que a questão da carga foi um ponto importante. Tivemos jogos com intervalos muito curtos e outros com intervalos muito longos, além da forma como a carga foi dividida ao longo das semanas. É um controle de carga por picos”, avaliou.
“O trabalho de prevenção de força já é feito dentro do protocolo do Cruzeiro, mas precisou ser aprimorado. É um trabalho que não pode ser deixado de lado de maneira nenhuma. Sabemos que nós, mulheres, precisamos de fortalecimento para não descarregar todo o peso na questão ligamentar”,
Luiza Parreiras
Apesar disso, Luiza ressaltou que a investigação interna não encontrou um único fator que pudesse explicar os seis casos. A gerente também afastou a existência de um erro específico na condução dos trabalhos ou na estrutura oferecida pelo Cruzeiro.
“Não identificamos nem apontamos um único motivo. Não entendemos que houve um erro na condução do trabalho ou na estrutura fornecida às atletas. Pelo contrário, sabemos que o Cruzeiro fornece tudo o que é necessário em termos de recuperação, que hoje é muito importante para evitar lesões”, afirmou.
Cruzeiro reforçou prevenção e controle do ciclo menstrual
A partir das análises, o departamento feminino promoveu mudanças na rotina das atletas. O trabalho preventivo de força, que já fazia parte dos protocolos, foi reforçado.
Outra alteração ocorreu no acompanhamento do ciclo menstrual. Segundo Luiza, o controle passou a ser mais rigoroso, com informações atualizadas diariamente para identificar a fase de cada jogadora e possíveis necessidades de adaptação nos trabalhos.
“O controle do período menstrual foi uma das principais mudanças que fizemos. Além de esse controle ser feito nos questionários, trouxemos para elas a compreensão de cada período e das consequências que cada um pode trazer para o desempenho”, comentou.
“Chamamos as atletas também para entender esse contexto: cada uma precisa entender seu corpo, cuidar-se e compreender o que ele está trazendo. O controle do ciclo menstrual se tornou bastante mais rigoroso, com um acompanhamento mais próximo. Diariamente, temos agora um relatório indicando em qual fase do ciclo cada atleta está e qual delas precisa de um pouco mais de cuidado”, completou.
Fisioterapia do Cruzeiro também foi reforçada
A preocupação do clube não ficou restrita à prevenção de novos casos. Com várias atletas submetidas a processos longos de recuperação, o Cruzeiro também reforçou a estrutura destinada ao tratamento das lesionadas.
O departamento contratou mais uma fisioterapeuta, que atua com as categorias de base e passou a ser a terceira profissional da área. O futebol feminino também recebeu equipamentos de recuperação da Toca da Raposa ll e pode utilizar a estrutura do local em trabalhos complementares.
“Agora, a nossa grande preocupação é o que vem depois dessa tempestade, desse boom de lesões, de toda a repercussão das notícias e do acompanhamento das atletas: a parte do tratamento, que é muito longa e que sabíamos que recairia sobre o departamento de fisioterapia”, disse.
Para a gerente, o trabalho realizado pelo Cruzeiro depois da sequência de lesões passa por três etapas: compreender o que aconteceu, implementar mudanças e acompanhar a recuperação das atletas.
“É um diagnóstico, são ações e prevenção para que não passemos por isso novamente”, finalizou.

