O técnico Artur Jorge avaliou as movimentações do Cruzeiro na janela de transferências do meio do ano e explicou como as saídas de Kaiki e Christian e as lesões de jogadores importantes afetaram o planejamento.
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Em entrevista exclusiva à Samuca TV, nesta terça-feira (27), o português detalhou as escolhas no mercado e destacou que o clube precisou buscar alternativas sem investimento na segunda metade da janela.
O Cruzeiro negociou Christian com o Krasnodar-RUS por US$ 10,5 milhões, cerca de R$ 53,76 milhões, e Kaiki com o Como-ITA por 14 milhões de euros, aproximadamente R$ 82,6 milhões. Para o treinador, as duas saídas tiveram impacto direto no equilíbrio defensivo da equipe.
“O mercado nos tirou dois jogadores importantíssimos na manobra defensiva da equipe. Tirou-nos o Kaiki e tirou-nos o Christian. O Kaiki, se não estou em erro, hoje ainda é o jogador com mais recuperações de bola do Cruzeiro. Se não estou em erro, pelo menos há dois, três jogos era. Não sei se mudou. E já não joga conosco há três meses”, afirmou.
“O Christian era um jogador importantíssimo do ponto de vista defensivo, como equilibrava, como era capaz de fazer muitas vezes de terceiro médio dentro do meio-campo do Cruzeiro. E tivemos esses dois jogadores que saíram, está tudo certo”, acrescentou.
Adaptação de Rojas e aposta em Pec
Para a lateral esquerda, o Cruzeiro contratou Gabriel Rojas, que estava no Racing-ARG. O argentino ainda não se firmou como titular e tem sido reserva de Lucas Villalba, zagueiro de origem que também atua no setor. Outra opção da posição, Kauã Prates foi vendido ao Borussia Dortmund-ALE, aos 18 anos, na mesma janela.
Segundo Artur Jorge, Rojas precisou se adaptar à frequência de partidas do futebol brasileiro.
“Fomos buscar, para a posição imediata, o Gabi (Rojas). Precisou de um período de adaptação. Era um jogador que vinha a jogar no Racing uma vez por semana, sentiu dificuldades para o momento de constância de desempenho em cima de sequência de jogos de três e quatro dias”, explicou.
No ataque, a contratação de Gabriel Pec, que estava no Los Angeles Galaxy-EUA, teve participação direta do treinador. O português revelou que o atacante era uma aposta pessoal para reforçar os lados do campo.
“Fomos buscar uma aposta muito pessoal minha, de um investimento também considerável. Fomos buscar o Pec para poder ser mais um jogador de corredor e, portanto, perdendo o Christian, que era um jogador que jogava por ali, ainda que lados opostos, mas onde nós conseguimos utilizá-lo nos dois lados. E fecho bem nessa primeira metade da janela”, disse.
Lesões mudaram os planos do Cruzeiro
O planejamento sofreu um baque com as lesões de Gabriel Pec e Luis Sinisterra, dois jogadores que eram projetados como titulares. Pec fraturou a tíbia da perna esquerda logo na estreia, enquanto o colombiano sofreu uma lesão grave na coxa esquerda.
Artur Jorge destacou que as duas baixas, em um intervalo curto, afetaram tanto a estrutura da equipe quanto o desempenho individual e coletivo.
“Numa semana só, dois jogos, nós perdemos dois jogadores importantíssimos, muito, muito influentes e que mexem na equipe daquilo que é a estrutura, mas também daquilo que é desempenho individual e coletivo”, lamentou.
Ao citar Sinisterra, o treinador também ressaltou a sequência que o atacante havia conseguido sob seu comando.
“Relembro que o Sinisterra, desde que está no Cruzeiro, o maior tempo de participações em jogo foi feito sob o nosso comando. Portanto, o maior período de tempo dele útil à equipe foi conosco”, pontuou.
Reforços sem investimento
Com a necessidade de repor as perdas, o Cruzeiro voltou ao mercado e buscou jogadores por empréstimo sem custos. Chegaram Wesley, do Al-Nassr, João Costa, do Al-Ettifaq, e Lucho Rodríguez, do Neom SC, todos clubes da Arábia Saudita.
Artur Jorge explicou que o desafio era encontrar alternativas que atendessem à necessidade esportiva sem comprometer as finanças.
“Tivemos a necessidade de procurar preencher essa necessidade com jogadores, mas sem budget. Ou seja, nós precisávamos de encontrar soluções que fossem viáveis, confiáveis, mas também soluções que não nos pudessem desequilibrar financeiramente”, disse.
Entre os reforços, o treinador destacou o potencial de Wesley e a identificação de João Costa como uma alternativa para o setor.
“Fomos buscar o João Costa e o Wesley. O Wesley, mais conhecedor do futebol brasileiro, um jogador que precisava de dar um passo atrás para poder… O Wesley tem esse potencial que eu reconheço enormíssimo, para mim. E o João, que era menos conhecido, mas que se apresentou como uma alternativa muito viável também para aquele preenchimento da posição imediata”,
Artur Jorge
Já a chegada de Lucho Rodríguez também esteve relacionada aos problemas físicos de Néiser Villareal.
“Nessa segunda janela trouxemos o Lucho também, sem investimento nenhum, jogador de alternância ali, porque o Neiser começou também a ter um período de sequência de lesões constantes e, portanto, investimento zero. Volto a dizer: investimento zero nessa segunda metade da janela”, reforçou.
Calendário reduziu espaço para mudanças
Além das movimentações no elenco, Artur Jorge apontou a mudança no calendário como um fator para a distribuição de oportunidades. Com apenas um jogo por semana, o treinador passou a ter mais tempo para recuperar os atletas e, consequentemente, utilizar uma base menor de jogadores.
“Depois a terceira situação, que é quando nós ficamos com um jogo por semana. O que é que isso nos impacta? Impacta que há menos tempo para que outros jogadores possam ser utilizados e, portanto, com isso, menos competitividade eles têm diária e de tempo de jogo”, disse.
“Porque, se nós continuássemos a jogar de três em três dias, nós íamos ter, com certeza absoluta, mais… Não digo mais utilização da maior parte do elenco. Quando reduzimos para um jogo por semana e com tempo suficiente, mais do que suficiente, para recuperarmos os jogadores, o círculo dos jogadores com mais minutagem reduziu bastante”, completou.

