O Cruzeiro conseguiu bloquear parte da aposentaria do ex-presidente Wagner Pires de Sá em ação na Justiça de Minas Gerais. O clube mineiro cobrava do ex-mandatário a restituição de um gasto feito no cartão corporativo durante a gestão do empresário, entre 2017 e 2019, para a compra de um terno de grife.
Segundo a decisão publicada pela 30ª Vara Cível de Belo Horizonte, houve comprovação de que Wagner autorizou um ex-funcionário do Cruzeiro a comprar a vestimenta no valor de R$ 10.004,24. O gasto foi feito utilizando o cartão do Pedro Moreira, então gerente de futebol.
Na decisão, o juiz exige o ressarcimento do montante, com correção monetária, custas processuais e pagamento dos honorários advocatícios, que chega a R$ 25.245,59.
“No caso em em exame, o réu foi revel e não justificou nenhuma despeja feita, e os gastos foram efetivamente praticados, de forma que ocorreu um enriquecimento indevido do requerido em detrimento do patrimônio do autor”, escreveu o juiz.
“E como o réu não justificou as despesas ou gastos, e sendo evidente que ela desfalcou patrimônio do autor, impõe-se o ressarcimento, como reclamado na inicial”, complementou.
A sentença também ordena o bloqueio mensal de 20% da aposentadoria de Wagner até que a dívida com o Cruzeiro seja quitada integralmente.

Cruzeiro move outra ação contra ex-presidente
O Cruzeiro ainda move outra ação na Justiça contra o ex-presidente. O clube mineiro cobra o ressarcimento de R$ 72.002,79 em razão de outros gastos indevidos nos cartões corporativos. No entanto, o processo ainda está em trâmite.
O uso de cartões corporativos do Cruzeiro
A farra dos cartões corporativos do Cruzeiro foi revelada em abril de 2020 por uma série de reportagens do jornal Estado de Minas. Na oportunidade, o diário obteve documentos que mostraram o uso do dinheiro do clube para pagamento, entre outros, de viagem para resort na Bahia, em 2019, consumo em restaurantes e hotéis de luxo, delivery de chopp, clínica de estética, lojas de departamento e até casas de “dança e drinks”.
Wagner Pires de Sá no Cruzeiro
Wagner Pires foi eleito presidente do Cruzeiro em dezembro de 2017. Com mandato até o fim de 2020, o ex-mandatário renunciou ao cargo no fim de 2019. Ele estava sendo investigado pela Polícia Civil após denúncias sobre falsificação de documento particular, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

