Ex-técnico do Cruzeiro, Tite foi apresentado nesta quinta-feira (17) como novo treinador do Botafogo. Durante a entrevista coletiva, o comandante relembrou a passagem pela Toca da Raposa e avaliou o trabalho realizado no clube celeste. O treinador estava sem clube desde que deixou a Raposa, em março.
Ao falar sobre o Cruzeiro, Tite destacou a conquista do Campeonato Mineiro e também citou as oportunidades dadas a jogadores durante o período em que esteve no comando da equipe.
“No Cruzeiro, em três meses fomos campeões mineiros, ganhando do Atlético Mineiro, tendo uma série de jogos pra jogar, inclusive com o Otávio, agora o goleiro, dando oportunidade”, iniciou.
“Não teve um bom início de Campeonato Brasileiro, porque também não dá pra ganhar tudo, não dá pra ter todas as variáveis da coisa, mas mantendo a saúde, não fazendo os atletas jogarem antes para expor, para machucar”, disse.
Apesar do título estadual, o início do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro foi marcado por resultados ruins. Sob o comando de Tite, o time celeste não venceu nas seis primeiras partidas da competição, com três derrotas e três empates.
O desempenho representou o pior início do Cruzeiro na história do Brasileirão. Quando Artur Jorge assumiu o comando, a Raposa amargava a lanterna da competição, com apenas quatro pontos. A primeira vitória veio somente na 9ª rodada, já na estreia do treinador português.
Influência do filho
Durante a apresentação, Tite também foi questionado sobre a influência do filho e auxiliar técnico, Matheus Bachi, em seus trabalhos.
No período em que esteve no Cruzeiro, Tite recebeu críticas pela postura à beira do campo. Em algumas ocasiões, Matheus Bachi aparecia dando instruções aos jogadores, enquanto o treinador permanecia mais distante da área técnica.
Ao ser questionado sobre a divisão de funções na comissão, Tite ressaltou o trabalho em equipe, mas afirmou que as decisões finais são de responsabilidade do técnico.
“Sempre, em todos os processos, a decisão, que é dura e solitária, é do técnico. Ela é intransferível, não é negociável. O que tem sim é uma equipe de trabalho e que te traz e te municia de informações. Por exemplo, ontem, o Bellão (interino do Botafogo) fez no primeiro tempo com um modelo, veio para o segundo de uma outra forma, nós vimos, e no transcurso do jogo mudou. E a conversa era constante com o auxiliar, com o Marcelo”, disse.
“Então, isso faz parte de um contexto. Isso é trabalhar em equipe. E eu associo a sua pergunta à autonomia. Não tem autonomia de técnico para contratação de qualquer atleta. Ela tem é coparticipação, ela tem trabalho de equipe, ela tem uma série de componentes, ela tem que ser boa pro Botafogo. Ela não tem que ser boa pra mim. Eu não tenho essa pretensão, já tenho idade suficiente pra entender esse processo. Já o tinha antes. Então, ela tem que ser de forma conjunta, ela tem que ser de forma estrutural”, comentou.
“E deixando bem claro: quem me conhece sabe que é um trabalho de equipe. E quem toma a decisão final sou eu”, finalizou.
Tite no Cruzeiro
Anunciado no dia 16 de dezembro, Tite chegou ao Cruzeiro com a missão de dar sequência ao trabalho de Leonardo Jardim, que havia levado o clube às semifinais da Copa do Brasil de 2025 e terminado o Campeonato Brasileiro na terceira colocação, recolocando a Raposa na Libertadores.
Desde o início, porém, o trabalho foi alvo de desconfiança por parte da torcida. O desempenho recente do treinador à frente do Flamengo, onde acabou demitido em 2024, também era motivo de questionamentos.
Dentro de campo, Tite conquistou o Mineiro, mas não conseguiu fazer o Cruzeiro apresentar o rendimento esperado no início do Brasileirão. A equipe estreou na competição justamente contra o Botafogo e foi derrotada por 4 a 0, no Nilton Santos.
O desempenho ruim no começo do campeonato acabou culminando na demissão do treinador em março.

