Antes da pausa para a Data Fifa, o Cruzeiro foi até Salvador e venceu o Vitória por 3 a 1, no Barradão, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Apesar do triunfo por dois gols de diferença, o time celeste apresentou dificuldades, voltou a fazer um primeiro tempo ‘apático’ e repetiu problemas que têm sido frequentes nas últimas partidas.
Mesmo assim, a vitória, de extrema importância para a equipe de Artur Jorge, dá um ‘respiro’ em meio ao momento de pressão vivido pelo clube. Após as eliminações nas copas, o Cruzeiro busca dar uma resposta dentro de campo e concentra as atenções no principal objetivo que restou na temporada: conquistar uma vaga direta na Copa Libertadores.
Com o triunfo, o Cruzeiro chegou aos 45 pontos, mas permaneceu na sexta colocação. Isso porque o Fluminense, que poderia ser ultrapassado e iniciou a rodada fechando o G5, também venceu e chegou aos 48 pontos.
Agora, o Cruzeiro terá 16 dias sem partidas devido à pausa para a Data Fifa. O período será importante para Artur Jorge trabalhar problemas apresentados pela equipe e buscar soluções antes de uma reta final que tende a ser decisiva para as pretensões do clube pensando na próxima temporada.
Problemas defensivos
O Cruzeiro entrou em campo diante do Vitória com o desafio de não ser vazado. Do outro lado estava o pior ataque do Campeonato Brasileiro. Mesmo assim, durante um primeiro tempo ruim, a Raposa cedeu espaços, teve dificuldades para encaixar a marcação e viu o time baiano abrir o placar aos 38 minutos, com Renê.
Com o gol sofrido no Barradão, o Cruzeiro chegou à 11ª partida consecutiva sendo vazado. Até aqui no Campeonato Brasileiro, a Raposa sofreu 40 gols em 28 jogos, média de 1,43 por partida.
Na tentativa de encontrar uma formação mais segura, Artur Jorge promoveu uma mudança na dupla de zaga. Recuperado de lesão no tornozelo esquerdo, Jonathan Jesus voltou ao time titular e formou parceria com João Marcelo. Fabrício Bruno começou no banco de reservas.
A alteração, porém, não resolveu os problemas. O Cruzeiro voltou a apresentar uma marcação vulnerável, principalmente no meio-campo, e permitiu que o Vitória encontrasse espaços para chegar ao campo de ataque durante a primeira etapa.
Os 16 dias sem jogos aparecem, portanto, como uma oportunidade para Artur Jorge trabalhar o sistema defensivo como um todo. Mais do que encontrar a dupla de zaga ideal, o treinador terá tempo para ajustar a proteção à defesa, a compactação entre os setores e uma marcação que tem permitido aos adversários chegar com frequência ao gol celeste.
Formação ainda em busca de equilíbrio
A pausa também será importante para Artur Jorge definir qual formação pretende consolidar para a reta final do Campeonato Brasileiro. Diante do Vitória, sem Lucas Romero, o treinador escalou Zé Lucas no meio-campo e voltou a utilizar dois pontas, com Wesley entre os titulares.
A estratégia não apresentou o resultado esperado durante o primeiro tempo. Com dificuldades para criar e também para controlar o meio-campo, o Cruzeiro pouco produziu ofensivamente e sofreu com as investidas do Vitória. Artur Jorge, então, precisou mexer na equipe no intervalo.
Uma das mudanças foi a entrada de Felipe Morais no lugar de Wesley. O jovem voltou a aproveitar a oportunidade e participou de uma atuação muito superior do Cruzeiro na etapa final.
Felipe Morais, inclusive, tem se credenciado como uma alternativa concreta para Artur Jorge na sequência da temporada. Nas oportunidades recebidas no time profissional, o jogador tem conseguido responder bem e ganhar espaço em um momento no qual o treinador ainda procura a melhor configuração para o setor ofensivo.
O período de treinamentos permitirá ao técnico testar alternativas sem a pressão de preparar a equipe para uma partida poucos dias depois. A definição entre a utilização de dois pontas ou uma formação com maior presença no meio-campo será um dos pontos a serem observados na retomada.
Disputa na lateral esquerda
Outra questão que Artur Jorge terá tempo para trabalhar está na lateral esquerda. Rojas foi titular diante do Vitória, mas, assim como em outras partidas, teve dificuldades e não conseguiu se firmar como uma solução definitiva para a posição.
A pausa também pode ser importante para Matías Viña. Contratado no último dia da janela de transferências, o lateral terá mais tempo para avançar na adaptação ao Cruzeiro e aprimorar a condição física para se tornar uma opção para Artur Jorge.
Villalba é outra alternativa. O argentino havia ganhado espaço na posição, mas perdeu a condição de titular depois de ser expulso no clássico decisivo pela Copa do Brasil. No Barradão, entrou durante o segundo tempo e respondeu bem: além de ajudar na mudança de postura da equipe, marcou o gol que colocou o Cruzeiro em vantagem.
Com diferentes características entre as opções disponíveis, Artur Jorge terá os próximos dias para avaliar qual delas oferece maior equilíbrio ao time para a sequência do Brasileiro.
Lado emocional também entra em pauta
Nem todos os ajustes necessários ao Cruzeiro, porém, passam por questões táticas. O período sem partidas também chega em um momento importante para o lado emocional do elenco.
Após a vitória no Barradão, Artur Jorge admitiu que administrar o impacto das recentes eliminações não tem sido simples. O Cruzeiro deixou as copas e passou por uma sequência de resultados que aumentou a pressão sobre jogadores e comissão técnica.
“Nós sabemos e não tem sido muito fácil aquilo que é gerir toda esta parte emocional, que nos custou e que nos pesou naquilo que foi a eliminação das copas. Os momentos que vivemos a seguir, difíceis também, onde precisávamos e precisamos de apoio daquilo que é quem de fato gosta de nós”, afirmou o treinador.
A reação diante do Vitória, nesse sentido, pode servir como um ponto de partida. Depois de sair atrás e apresentar dificuldades no primeiro tempo, o Cruzeiro voltou diferente do intervalo, empatou aos 38 segundos e construiu a virada por 3 a 1.

