Presidente da Codemig e da Codemge, Luísa Barreto detalhou, nesta terça-feira (29), em entrevista exclusiva à Samuca TV, os moldes do patrocínio do Governo de Minas ao Cruzeiro e aos demais clubes da capital mineira.
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Pela manhã, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou a destinação de R$ 15 milhões para o clube celeste. A decisão foi tomada após a Medida Provisória (MP), imposta pelo Governo Federal, que proíbe o funcionamento de casas de apostas no Brasil.
Nesta terça (29), foram as tratativas para a assinatura do contrato, prevista para ocorrer nos próximos dias.
De acordo com Luísa Barreto, as marcas estatais passarão a ser expostas na camisa do Cruzeiro a partir de 2027. O período também integrará o repasse programado da verba das empresas do Governo de Minas ao Cruzeiro.
Durante a entrevista, a representante do governo estadual afirmou que a Codemge e a Codemig já têm um histórico de patrocínios no esporte. Os valores, inclusive, já estavam destinados à pasta em 2027, mas foram redirecionados aos clubes de futebol no momento de incerteza quanto aos contratos com as bets.
“Essas duas empresas públicas, tanto a Codemge quanto a Codemig, são empresas que já têm uma política de patrocínio, de fomento ao esporte, à cultura. Já fazem isso rotineiramente. Isso está dentro dos nossos orçamentos, que não se confundem com o orçamento do Governo de Minas. Quando as pessoas falam que estamos tirando dinheiro da saúde, da educação, da segurança, não é isso”, iniciou.
“Não tem ninguém tirando dinheiro da saúde, da educação, da segurança. Isso nem é possível. Estamos falando de dinheiro das empresas destinadas a patrocínios. A própria Codemge/Codemig é a maior apoiadora do Carnaval de BH e apoia uma série de eventos esportivos e culturais em Minas”, iniciou.
“A gente decidiu redirecionar, aos clubes, uma verba que já tinha destinação para patrocínios. Por que a gente faz isso? Primeiro, porque temos muita certeza de que os clubes de futebol são muito importantes para Minas Gerais em termos culturais e de opção de lazer para a população”
Luísa Barreto, sobre o patrocínio do Governo de Minas aos clubes de futebol
Na sequência, Luísa Barreto explicou que a decisão do governo estadual também foi baseada no poder socioeconômico dos clubes de futebol. O Atlético-MG receberá os mesmos R$ 15 milhões do Cruzeiro, enquanto o América-MG terá um patrocínio de R$ 2 milhões.
O Athletic, de São João del-Rei, e o Uberlândia, igualmente patrocinados por bets, também contarão com patrocínios do Governo de Minas.
“Os clubes têm uma importância econômica gigantesca, giram todo um mercado de mídia, de empresas que atuam em torno do clube. Seja o bar que vende cerveja durante cada jogo, sejam pessoas que trabalham com material esportivo. As próprias famílias dos empregados e dos clubes. Acreditamos muito no futebol”, disse.
“Eu, pessoalmente, sou fã de futebol. Frequento todos os jogos do Cruzeiro, inclusive. Temos certeza que apoiar o futebol mineiro é importante para o nosso estado. A gente decide, então, deixar de apoiar outros itens do próximo ano, outras iniciativas culturais, para fazer esse apoio aos clubes de futebol”, contextualizou Barreto.
Contrapartidas do governo
À Samuca TV, a diretora-presidente da Codemge e da Codemig ainda afirmou que o patrocínio do Governo de Minas envolverá contrapartidas.
Por meio de um repasse percentual, algumas dessas ações incluem o apoio a esportes olímpicos e paralímpicos, incentivo ao futebol feminino e maior oportunização aos jogos para estudantes da rede pública de ensino.
“Como empresa pública, decidimos por pedir algumas contrapartidas de características mais sociais. A gente vai pedir uma contrapartida para que tenha sempre um percentual desse valor aplicado ao futebol feminino, a esportes olímpicos e paralímpicos para os clubes que tiverem essas modalidades”, destacou.
“É muito comum os patrocinadores fazerem exigências, como camarotes e ingressos VIPs. Nós não quisemos nada disso, abrimos mão desse tipo de contrapartida. Ao invés disso, solicitamos uma contrapartida social, no sentido de que sejam disponibilizados os ingressos para serem sorteados aos alunos da rede pública, para que possam assistir aos jogos com suas famílias”, acrescentou.
Por fim, Luísa Barreto voltou a garantir que a verba destinada para o patrocínio dos clubes de futebol não afetará outras áreas da sociedade.
“As pessoas fazem confusões. ‘Ah, estão tirando dinheiro da saúde e da segurança’. Mais uma vez, é uma verba que já estava carimbada para patrocínio. As empresas fazem isso para expor a nossa marca. Assim como as empresas privadas expõem marcas, para nós, é importante expor a nossa marca com o público do futebol”, argumentou.
“O futebol atinge milhões de pessoas no estado. Isso fortalece a marca da Cemig também. Não é nenhuma novidade falar de empresas públicas apoiarem o futebol no Brasil afora. Já tivemos Petrobras, Caixa, BMG há alguns anos. Optamos por fazer agora, porque entendemos que o momento de insegurança para os clubes de futebol é ruim para a sociedade mineira. Acreditamos muito no poder do futebol e, por isso, essa decisão”, concluiu.

