Adversário do Cruzeiro na estreia da Copa Libertadores, o Barcelona de Guayaquil-EQU vai em busca do seu primeiro título da maior competição continental da América do Sul. Nesta terça-feira (7), as equipes medem forças às 21h (de Brasília), no Monumental Isidro Romero Carbo, pela 1ª rodada do Grupo D.
Fundado no dia 1º de maio de 1925, o clube equatoriano completou recentemente o seu centenário e está próximo de chegar aos 101 anos de existência. Equipe tradicional no continente, o Barcelona vai para sua 32ª participação na história da Libertadores.
Presente no grupo do Cruzeiro, o time equatoriano ainda terá pela frente o Boca Juniors-ARG no dia 14 de abril (terça-feira) em Buenos Aires, e Universidad Católica-CHI no dia 29 de abril (quarta-feira) em Guayaquil.
O Central da Toca traz todos os detalhes do Barcelona-EQU, primeiro confronto da Raposa depois de sete anos sem disputar a Libertadores.
História e tradição
O nome do time não foge do gigante catalão, Barcelona, uma das maiores equipes do futebol europeu. O fundador, Eutimio Pérez, nascido na Catalunha, teve forte influência nas cores e escolheu a alcunha em homeanegm ao clube espanhol.
A história começou no bairro Astilerro, em Guayaquil, mesmo local onde surgiu o Emelec-EQU, principal rival do Barcelona e um dos maiores clássicos do futebol equatoriano.
Com uma forte construção histórica, o Barcelona de Guayaquil iniciou sua trajetória de glórias e conquistas entre a década de 60, quando conquistou seu primerio título nacional. A partir daí, o clube venceu a liga em todas as décadas até o início dos anos 2000.
No início do século, o time passou por uma seca histórica de títulos equatorianos. Foram 15 anos sem nenhuma conquista entre 1997 até 2012, quando voltou a levantar o troféu e seguiu consolidado como o maior campeão nacional do país. O Barcelona foi campeão pela última vez em 2020 e soma 16 títulos da liga.
Na Libertadores, apesar de nunca ter levantado a taça, o Barcelona chegou longe em duas oportunidades. Uma das equipes a serem batidas nos anos 90, o clube chegou à decisão da competição em 1990 e 1998.
Primeiro clube equatoriano da história a chegar em uma final de Libertadores, o clube perdeu para o Olímpia em 90 e foi superado pelo Vasco em 98. Chegou entre os quatro primeiros em sete ocasiões: 1961, 1971, 1972, 1986, 1987, 1992, 2017 e 2021.

Monumental Isidro Romero Carbo
Estádio tradicional do Barcelona, o “El Coloso del Salado” foi construído em 1985 e finalizado em 1987. Uma das principais torcidas do país, o clube mandava seus jogos em um estádio municipal antes da conclusão da atual casa.
O nome do estádio é do presidente e empresário que teve a iniciativa de fazer a obra: Isidro Romero Carbo. O Monumental foi pré-inaugurado em um amistoso contra o Peñarol-URU, no dia 27 de dezembro de 1987, e oficialmente aberto em 1988, em um torneio quadrangular que envolveu o Barcelona-ESP.
Durante a competição amistosa, Pelé marcou presença e teceu elogios à estrutura: “Em meu país está o Maracanã, o maior estádio do mundo. Mas o Monumental é o mais belo”. A fala foi eternizada em uma placa nas dependências do estádio.
Inicialmente, o Isidro Romero Carbo foi projetado para receber 50 mil pessoas, mas chegou a registrar 80 mil espectadores na final da Libertadores contra o Vasco. Com o passar dos anos e reformas de modernização, hoje o estádio comporta 57.267 presentes.
Junto a isso, o atual Monumental Banco Pichincha, naming right de um banco equatoriano, sediou três finais de Libertadores (1990, 1998 e a final única de 2022) e a decisão da Copa América de 1993.

Retrospecto do Barcelona contra o Cruzeiro
Apesar das duas equipes terem disputado a Libertadores em diversas oportunidades, Cruzeiro e Barcelona de Guayaquil-EQU nunca se enfrentaram em jogos oficiais. O duelo desta terça-feira (7) marcará o primeiro confronto oficial da história dos dois clubes.
Mesmo sem nenhum confronto em competições oficiais, o time celeste tem um número favorável de vitórias em duelos contra equipes equatorianas. Na história, foram 14 jogos, nove vitórias, três empates e duas derrotas, um aproveitamento de 71,4%.
No geral, o Cruzeiro já enfrentou a LDU, El Nacional, Emelec e Deportivo Quito em sua trajetória por competições da Conmebol.
Barcelona-EQU contra clubes brasileiros
Mesmo sem nunca ter enfrentado o Cruzeiro por jogos oficiais, o Barcelona já aprontou contra clubes brasileiros recentemente. Os equatorianos foram responsáveis pela eliminação de Palmeiras e Santos em 2017, ambos pela Libertadores. Em 2021, foi a vez do Fluminense dar adeus à competição.
Em 2026, o Botafogo sofreu a ‘ira’ do Barcelona e caiu na terceira fase da Libertadores depois de uma derrota por 1 a 0 dentro do Nilton Santos.
Ao todo, foram 34 partidas oficiais do Barcelona contra os brasileiros. O time equatoriano tem nove vitórias, empatou cinco vezes e perdeu 15.
O Cruzeiro será o 14º time brasileiro na história à enfrentar a equipe de Guayaquil. Confira a lista de adversários:
- São Paulo (Primeiro adversário brasileiro na história do clube na Libertadores, em 1972 e depois na semifinal de 1992).
- Coritiba (Enfrentou na fase de grupos em 1986).
- Bangu (Enfrentou na fase de grupos em 1986).
- Vasco da Gama (Fizeram a grande final da Libertadores de 1998).
- Santos (Um dos brasileiros que mais enfrentou o clube: 2004, 2017 e 2021).
- Grêmio (Oitavas da Sul-Americana de 2012 e a semifinal da Libertadores em 2017).
- Botafogo (Fase de grupos em 2017 e na fase preliminar em 2026).
- Palmeiras (Oitavas de final da Libertadores de 2017).
- Flamengo (Fase de grupos em 2020 e semifinal da Libertadores em 2021).
- Fluminense (Quartas de final da Libertadores em 2021).
- América-MG (Fase preliminar da Libertadores em 2022).
- Red Bull Bragantino (Fase de playoffs da Copa Sul-Americana em 2024).
- Corinthians (Fase preliminar da Libertadores em 2025)

Fase do Barcelona
Em busca do título que não conquista há seis anos, o Barcelona faz uma campanha sólida neste início do Campeonato Equatoriano. Atualmente, o time é o terceiro colocado na tabela, com apenas uma derrota e 12 pontos somados, quatro abaixo do líder Independiente del Valle.
Desde a última conquista (2020), a equipe faz boas campanhas na liga nacional. Nas últimas quatro temporadas (2021-2025), o Barcelona terminou entre os quatro primeiros em todas e foi vice-líder em duas (2022 e 2023).
As trajetórias no campeonato não se refletiram na Libertadores. Na década, a equipe não passa da fase de grupos desde 2021, quando chegou à semifinal e foi eliminado pelo Flamengo. Em 2022, sequer passou da fase preliminar e caiu para o América-MG.
Para superar o retrospecto recente ruim na competição, o Barcelona tem no comando o técnico Cesar Farias, contratado no início da temporada para reverter o quadro.
Venezuelano, o treinador passou por sua seleção nacional em 2011, levando às semifinais da Copa América, e pela Bolívia. No Equador, o comandante levou o Aucas ao título inédito da liga em 2022 sobre o próprio Barcelona. Também dirigiu o Cerro Porteño-PAR, The Strongest-BOL, Tijuana-MEX e Universitário-PER.

Como joga e os principais jogadores
Diferente do que busca o Cruzeiro, o Barcelona não é um time que faz muitos gols, mas que sofre poucos. Na atual temporada, a equipe comandada por César Farías é o terceiro do equatoriano, mas marcou apenas seis vezes em sete jogos, número pior que seus concorrentes del Valle e Universidad Católica.
No entanto, a defesa é o principal ponto forte da equipe na campanha da Libertadores. Foram apenas três gols sofridos, com a segunda melhor defesa do campeonato ao lado da Universidad.
A formação preferida do treinador é o 4-5-1 ou o 4-2-3-1. Com média de 50% de posse de bola, o Barcelona é um time que não prioriza tomar a iniciativa das ações do jogo. O time comumente titular é: Contreras; Carabalí, Baéz, Rangel e Vallecilla; Matías Lugo, Héctor Villalba, Quiñónez, Milton Celiz e Luis Cano; Dario Benedetto.
Para a temporada, César Farías conta com alguns velhos conhecidos do futebol brasileiro, considerados ‘carrascos’. O principal deles é o atacante Dario Benedetto, de 35 anos.
Principal algoz do Palmeiras em 2018, o argentino tirou o clube paulista da decisão em duas atuações memoráveis. No confronto de ida na Libertadores, Benedetto marcou duas vezes em La Bombonera, complicando a vida dos brasileiros para o jogo de volta.
No Allianz, quando o Alviverde vencia por 2 a 1 e pressionava em busca do terceiro gol, o atacante apareceu novamente e empatou o jogo, eliminando o Palmeiras da competição. Atualmente, o argentino é o artilheiro da equipe, com três gols em 2026.
Outro que a torcida do Cruzeiro lembra é o atacante Héctor Villalba. O jogador fez parte do elenco do San Lorenzo campeão da Libertadores, que eliminou a Raposa nas quartas de final. O paraguaio foi titular nos dois jogos em 2014.


