O técnico Artur Jorge relembrou uma conversa com um torcedor do Cruzeiro sobre o clássico contra o Atlético-MG pela Copa do Brasil. Em entrevista exclusiva à Samuca TV, nesta terça-feira (27), o português contou que foi abordado, de forma simpática, na rua e ouviu uma comparação com a final da Libertadores de 2024, quando comandava o Botafogo.
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O assunto surgiu quando o treinador foi perguntado se ainda remoía as derrotas nas copas. O Cruzeiro foi eliminado pelo Flamengo nas oitavas de final da Libertadores e pelo Atlético-MG nas quartas da Copa do Brasil.
“Eu fico remoendo porque perdi. Isso não tem a ver apenas e só com a questão de ser uma copa, porque é uma competição de mata-mata e, portanto, não tem segunda oportunidade. Mas aqueles jogos que perdi, todos eles são jogos que eu posso remoer e tenho a humildade suficiente para ter uma autocrítica daquilo que poderia, às vezes em algum momento, ter feito alguma coisa diferente”, afirmou.
Na partida de volta das quartas de final da Copa do Brasil, na Arena, o Cruzeiro vencia por 1 a 0 quando Lucas Villalba foi expulso, já no segundo tempo. Com um jogador a menos, a equipe sofreu a virada e perdeu por 2 a 1.
Artur Jorge foi criticado por parte da torcida por manter o defensor em campo mesmo após o primeiro cartão amarelo e pelas substituições. Na ocasião, o treinador retirou Matheus Pereira, Kaio Jorge e Gerson de uma só vez.
Ao relembrar a conversa na rua, o português explicou que o torcedor comparou o episódio à decisão da Libertadores de 2024. Naquela final, também contra o Atlético-MG, o Botafogo ficou com um jogador a menos aos 29 segundos de jogo e, ainda assim, venceu por 3 a 1.
“Aquilo que fica, e eu percebo… aliás, eu tive a oportunidade de ser abordado simpaticamente na rua, mas com esse, com esse comentário… mas, os contextos são totalmente diferentes. As coisas não são comparáveis. O risco foi maior em 2024, quando aquilo fizemos, do que agora. Portanto, havia ali uma competição que era a decisão, não é comparável”,
Artur Jorge
“E não é comparável porque os jogadores, as equipes, os adversários são diferentes. Aliás, o adversário não era diferente, mas acabam por ter aqui variáveis, o tempo de jogo, muita condicionante que não, que não é por aí”, completou.
O treinador afirmou que a decisão tomada no clássico não representou falta de coragem, mas uma avaliação do que considerava mais adequado para o Cruzeiro naquele momento.
“Não deixei de ter a mesma coragem, que se pode dizer que tive em 24, mas fiz uma leitura diferente daquilo que poderia ser o melhor para a equipe. E, e repito-me outra vez, que é uma leitura que tivemos com alguma semelhança”, declarou.
Artur Jorge relembra jogo contra o Boca Juniors
Para explicar suas escolhas, Artur Jorge citou uma situação vivida com o próprio Cruzeiro no empate por 1 a 1 com o Boca Juniors, na Bombonera, pela 5ª rodada da Libertadores. Naquela partida, Gerson foi expulso no segundo tempo, e a equipe celeste conseguiu segurar o resultado fora de casa.
“E aí sim, com os mesmos jogadores ou a mesma equipe, estando eu nessa liderança daquilo que fizemos frente ao Boca, que ficamos e conseguimos um resultado importantíssimo para o apuramento quando o Gerson foi expulso e naquela altura tivemos necessidade de tirar os dois homens mais desgastados da frente, o Matheus Pereira e o Kaio, para colocar o Néiser também”, relembrou.
Segundo o português, a intenção ao colocar Néiser Villareal era explorar os espaços nas costas da defesa adversária. No clássico, porém, o Cruzeiro não conseguiu acionar o atacante como havia feito em Buenos Aires.
“O Néiser que era um jogador de transições, um jogador que, expectavelmente para mim, era um jogador que podia chegar mais vezes também à cara do goleiro, ganhando as costas da defesa contrária. Aquilo que não aconteceu no jogo da copa, onde eu queria, porque nós não conseguimos, aí não conseguimos mais vezes solicitar o Néiser na frente, como fizemos em Buenos Aires.”
Autocrítica após as eliminações
Artur Jorge reconheceu que os resultados negativos provocam uma revisão das escolhas, mas ponderou que uma decisão diferente também não asseguraria um desfecho melhor.
“Mas tudo aquilo que seja resultados adversos, nós ficamos sempre com a sensação em algum momento de que há coisas que podemos fazer diferente. Até porque, às vezes pode ser bem pior, às vezes pode ser até muito bem pior. Mas, a diferença e aquilo que é o nosso pensamento, e a nossa autocrítica, e a nossa forma de poder ver, é sempre encontrar soluções para os problemas que nos são colocados”, avaliou.
“Esse problema aconteceu, nós naquela altura foi a solução que entendemos ser adequada. Não conseguimos o objetivo, mas isso não pode, de forma alguma, ser um peso ou um mártir em cima de nós, porque tentamos, como disse sempre. E isso é um princípio que eu não, não fujo dele. Tentamos sempre dar o nosso melhor e o melhor para aquilo que é a caminhada ou as caminhadas que o Cruzeiro tem pela frente”, concluiu.

