O técnico Artur Jorge revelou quais foram suas prioridades ao assumir o Cruzeiro e reforçou a ambição de conquistar títulos pelo clube. Em entrevista exclusiva à Samuca TV, nessa terça-feira (27), o português falou sobre as mudanças no dia a dia da equipe, os critérios para avaliar os resultados e a construção do projeto comandado por Pedro Lourenço, presidente da SAF.
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Quando chegou, o treinador encontrou o Cruzeiro na lanterna do Campeonato Brasileiro, com quatro pontos em oito partidas. Segundo ele, o primeiro passo foi trabalhar o estado emocional do elenco e estabelecer uma rotina com mais intensidade.
“Acima de tudo, mudar aquilo que é o estado anímico da equipe. Acho que era importante nós trazermos uma energia diferente. Eu gosto de chamar diferente para poder ter o cuidado daquilo que está para trás, mas diferente para nós podermos ter uma equipe que pudesse ser mais competitiva, trazer uma intensidade diferente daquilo que é a nossa rotina do dia a dia”, disse.
Artur Jorge explicou que também procurou implementar regras e valores que considera importantes para a convivência e a preparação dos jogadores. Naquele momento, além do Brasileiro, o Cruzeiro tinha a Libertadores e a Copa do Brasil pela frente.
“Tivemos necessidade daquilo que é, como toda a gente… e eu tenho também as minhas próprias regras e valores, que eu procuro implementar dentro dos clubes onde trabalho, para que nós possamos ter aquilo que chamamos de uma rotina saudável de convivência, para que o dia a dia pudesse ser prazeroso, com qualidade de treino, com treinos intensos, preparatórios para aquilo que iriam ser as diferentes competições. Na altura, tínhamos três competições pela frente, para as fazermos bem feitas e podermos cumprir objetivos em cada uma delas”, comentou.
A missão de Artur Jorge no Cruzeiro
Com o Cruzeiro em terceiro lugar no Brasileiro, com 54 pontos, o português deixou nítido que sua ambição no clube vai além da recuperação na tabela. O treinador colocou a conquista de títulos como um objetivo pessoal.
“eu tenho como missão poder lutar por títulos e tenho como objetivo pessoal ganhar títulos com o Cruzeiro. É muito claro isto para mim”,
Artur Jorge
Ao analisar o cenário nacional, Artur Jorge destacou a quantidade de clubes que começam cada temporada com condições de disputar o título. Na avaliação dele, porém, Palmeiras e Flamengo estão em um patamar superior neste momento.
“Nós temos, obviamente, dentro de um contexto do Brasil, um campeonato para aquilo que são seis, sete equipes que iniciam a temporada sempre como candidatas ao título. Porque, de fato, o Brasil é fértil em grandes equipes, em grandes clubes, em clubes que, uns mais do que outros, às vezes, porque os anos vão-se alternando, mas são equipes, eu digo sempre, com capacidade para esse objetivo”, afirmou.
“Nós, nesta altura, temos duas equipes que estão fora da curva daquilo que é a realidade competitiva do Brasil. E digo fora da curva, acima: Palmeiras e Flamengo”, disse.
O treinador também questionou o uso do orçamento como principal parâmetro para avaliar o desempenho de uma equipe.
“E não é por acaso que, muitas vezes, nós pegamos — e já vi também isto escrito algumas vezes e falado até —: ‘Ah, o Cruzeiro tem a terceira maior folha, o terceiro maior orçamento do campeonato’. Então, se calhar, nós não devemos falar que perdemos para uma equipe que tem mais orçamento do que nós. E, se calhar, nós não devemos falar da Copa, porque o nosso rival tem um orçamento igual ao nosso”, iniciou.
“É importante nós percebermos, porque não podemos usar este tipo de argumentos para justificar. Hoje, nós estamos em terceiro lugar e podemos terminar em segundo, terceiro, quarto ou quinto, mas dentro do objetivo. E isso não tem a ver com a questão só orçamental”, comentou.
“Porque, senão, de outra forma, eu tenho que rebater de uma forma pragmática e com fatos: não podemos falar de Libertadores, perdemos para uma equipe que tem orçamento maior que o nosso, portanto, era esperado. E então saímos da Copa com uma equipa que tem o mesmo que nós, portanto, 50-50″, continuou.
“Não é isso que eu quero dizer. E eu não estou a falar de orçamentos, nem estou a validar que o sucesso ou insucesso vai ser assente no quanto se gasta”, disse.
‘Faz parte do meu DNA’
Ao abordar o planejamento do Cruzeiro, Artur Jorge afirmou conhecer os objetivos de Pedro Lourenço, presidente da SAF, e defendeu uma avaliação que considere a construção do projeto.
“Eu sei qual é o plano do meu presidente, do Pedro Lourenço, do Pedrinho, sei qual é o plano que eles têm”, disse.
“E quando falo que temos que validar, nós temos, muitas vezes, aquilo que é um projeto, como disse, de cinco anos hoje, para nós podermos pegar e sabermos o que é que é feito e foi feito para se ganhar de alguma forma”, comentou.
“Todos nós queremos ganhar campeonatos, copas, estamos todos de acordo. Ninguém anda aqui apenas e só para ser simpático ou para jogar por jogar. Nós queremos jogar para objetivos, para ganhar, para estar lá em cima, para poder disputar as decisões”, disse.
“Isso faz parte do meu DNA. Se não for assim, eu não estou aqui a fazer nada. Acho que tem que ser este o meu princípio. Não é um pedido do presidente, não é um pedido da torcida. Eu sou assim”, afirmou.
Base e estrutura no projeto do Cruzeiro
Para Artur Jorge, o planejamento precisa envolver medidas concretas, como o desenvolvimento de jovens na equipe principal. Além da contribuição esportiva, o treinador destacou a importância desses jogadores para o equilíbrio financeiro do clube.
“E eu estou a falar daquilo que é importante nós agarrarmos quando falamos de um projeto. E, por vezes, um projeto torna-se uma palavra muito vaga. Nós temos que saber que é preciso ter jovens jogadores que se potenciem na equipa principal para poderem ser válidos e ser ativos, que possam equilibrar contas aqui dentro”, iniciou.
“Nós temos que poder ter infraestruturas capazes para corresponder às expectativas e de atração para os jogadores que vejam no Cruzeiro como possibilidade. Há muitos fatores que nós sabemos que queremos e precisamos de todos para os atingir”, finalizou.

