Era apenas um amistoso, mas o segundo teste antes da retomada da temporada deixou sinais de alerta para o Cruzeiro. A derrota por 3 a 1 para o Grêmio, nesse domingo (12), no estádio Mané Garrincha, evidenciou dificuldades que já haviam aparecido em outros momentos do ano.
A equipe celeste desperdiçou oportunidades, sofreu novamente com a bola aérea defensiva e ainda deixou dúvidas em algumas posições do elenco.
Assim como em boa parte da temporada, o Cruzeiro criou oportunidades, mas pecou nas finalizações. Ainda no primeiro tempo, Kaio Jorge perdeu duas boas chances de abrir o placar.
Na primeira delas, Sinisterra fez grande jogada individual, deixou os marcadores para trás e encontrou o camisa 19 na entrada da área. O atacante finalizou por cima do gol. Pouco depois, recebeu lançamento em profundidade, ganhou da marcação na velocidade e bateu rasteiro para fora.
No futebol, a máxima de que ‘quem não faz, leva’ voltou a aparecer. Enquanto o Cruzeiro não aproveitava as oportunidades, o Grêmio foi eficiente nas poucas chances que criou e abriu o placar com Carlos Vinícius.
Na etapa final, a falta de eficiência pesou. Quando o placar estava 2 a 1, Kaio Jorge desperdiçou uma cobrança de pênalti defendida por Gabriel Grando. Pouco depois, foi a vez do estreante Gabriel Pec parar no goleiro gremista em outra penalidade, mantendo o Cruzeiro sem reação na partida.
Bola aérea segue como ponto de atenção
Outro aspecto que voltou a preocupar foi a bola aérea defensiva. No segundo gol do Grêmio, Pavón cruzou pela direita, e Nardoni apareceu completamente livre dentro da área para cabecear e ampliar a vantagem da equipe gaúcha.
A dificuldade nas jogadas pelo alto, inclusive, já havia sido apontada por Artur Jorge antes da pausa para a Copa do Mundo. Na ocasião, o treinador reconheceu que o fundamento precisava de ajustes para a sequência da temporada, mas o amistoso mostrou que a equipe ainda busca evolução nesse aspecto.
Quem joga?
Se alguns problemas coletivos voltaram a aparecer, o amistoso também deixou dúvidas sobre determinadas posições do elenco.
No duelo diante do Grêmio, Matheus Henrique foi testado mais uma vez como primeiro volante. Apesar da qualidade com a bola nos pés, o meio-campista segue em processo de adaptação a uma função que exige maior poder de marcação e proteção à defesa. Até o momento, porém, ainda não conseguiu transmitir o mesmo nível de segurança oferecido por Lucas Romero, titular absoluto da posição.
O setor, inclusive, segue sem um substituto de características semelhantes. O Cruzeiro buscou opções no mercado e chegou a conversar com Gregore, do Al-Rayyan-CAT, mas as negociações não avançaram.
Outra incógnita está no ataque. Com a saída de Christian, Artur Jorge ainda procura um substituto para a posição. No amistoso diante do Defensor-URU, Rayan Lelis recebeu a oportunidade. Contra o Grêmio, a vaga ficou com Marquinhos. Nenhum dos dois, porém, conseguiu aproveitar a chance para se firmar.
Além deles, Sinisterra segue como titular pelo lado esquerdo, enquanto Wanderson, Kenji, Bruno Rodrigues, Gabriel Pec (recém-contratado) e Arroyo (atualmente em recuperação de lesão) aparecem como opções de velocidade para o setor ofensivo.
E agora?
O Cruzeiro volta a campo no dia 22 de julho (quarta-feira), às 21h30, quando enfrenta o Internacional, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Até lá, Artur Jorge terá pouco mais de uma semana para corrigir os pontos evidenciados no amistoso e definir a equipe para uma sequência decisiva da temporada.
Além do Campeonato Brasileiro, a Raposa terá pela frente as oitavas de final da Copa do Brasil, contra a Chapecoense, e da Copa Libertadores, diante do Flamengo.

