Após a demissão de Tite, o Cruzeiro agiu no mercado e contratou Artur Jorge, o 4º técnico português na história celeste. Depois de pouco mais de um ano á frente do Al-Rayyan, o treinador chega ao Maior de Minas com a dura missão de colocar ordem na casa e, quem sabe, repetir o sucesso que teve no Botafogo em 2024.
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Assim como quando assumiu ao clube carioca, Artur Jorge chega á Raposa em um cenário de muita pressão. A boa notícia é que o treinador já se mostrou capaz de lidar com o caos e, em meio a ele, desenvolver um trabalho sólido. No momento atual do Cruzeiro, não basta que o treinador seja qualificado e vencedor, ele precisa, acima de tudo, ter jogo de cintura para lidar com adversidades. Felizmente, o novo técnico celeste carrega essa qualidade.
Em abril de 2024, Artur Jorge assumiu o elenco do Botafogo em frangalhos tanto na parte técnica como emocional muito por conta do tremendo insucesso na busca pelo título do Brasileirão do ano anterior. Após a saída de Luís Castro em julho de 2023, o Botafogo saiu de um título brasileiro praticamente garantido para uma amarga 5ª colocação na competição. Além disso, o clube perdeu completamente o norte no âmbito do futebol e chegou a acumular 4 nomes diferentes no comando técnico após a saída de Castro: Bruno Lage, Lúcio Flávio, Tiago Nunes e Fábio Matias. Todos eles fizeram um trabalho ruim e não foram capazes de deixar nada a ser aproveitado.
Apesar de tantos problemas, Artur Jorge mostrou maturidade e fez o Botafogo se tornar vencedor de forma soberana em poucos meses. Dentro de campo, a equipe deu uma resposta rápida, se ajustou e terminou o ano com dois títulos de competições gigantescas: Libertadores e Brasileirão. Á frente do Botafogo, o técnico português igualou o feito de Santos de Pelé e do Flamengo de Jorge Jesus ao vencer a Libertadores e o Campeonato Brasileiro na mesma temporada.
Não é exagero dizer que Artur Jorge assume ao Cruzeiro em 2026 um cenário muito parecido com o qual vivia o Botafogo antes de sua chegada em 2024: crise, pressão por resultados melhores de forma imediata e necessidade de construir um trabalho do zero dentro de campo. Todos os fatores reforçam que o português foi uma escolha coerente da diretoria, mas a própria gestão precisa respaldar o novo treinador para que ele tenha a maior tranquilidade possível para trabalhar.
Para fazer o Cruzeiro sair da luta contra o rebaixamento e buscar coisas grandes ainda em 2026, Artur Jorge precisa de autonomia e melhorias significativas no elenco. Por mais que o trabalho ruim de Tite tenha causado uma sensação equivocada de que o plantel é extremamente questionável, não dá para negar que carências precisam ser supridas. Algumas delas, inclusive, estão evidentes desde a reta final do ano passado.
Mais uma vez, o sucesso de Artur Jorge no Botafogo em 2024 serve como exemplo: mesmo na liderança do Brasileirão e classificado para o mata-mata das copas (Copa do Brasil e Libertadores), o português enxergou a necessidade de reforços a partir da janela aberta em julho daquele ano e contou com investimentos fortes de John Textor. Ao todo, 7 novos nomes chegaram ao Botafogo naquela oportunidade: Vitinho, Adryelson, Alex Telles, Allan, Thiago Almada, Matheus Martins e Igor Jesus. Todos foram importantes para que o Botafogo se tornasse vencedor, mas vale um destaque maior para Thiago Almada e Igor Jesus.
Não penso que o Cruzeiro vá precisar de tantos reforços, mas alguns nomes pontuais serão necessários para dar um bom suporte ao trabalho do português. Fica a expectativa por um alinhamento completo entre diretoria e treinador em todas as esferas para que o 2026 do Cruzeiro deixe de ser um pesadelo e, finalmente, se torne digno, conforme o cruzeirense merece. Sucesso ao Artur Jorge! Ele é a esperança em meio ao caos.

