Novo técnico, novas ideias. Artur Jorge chegou ao Cruzeiro cercado de expectativas. Mas, a missão não será nada fácil. Afinal, a equipe celeste não tem desempenhado um bom futebol e amarga a lanterna do Campeonato Brasileiro, com apenas quatro pontos.
Devido à Data Fifa, o treinador terá pouco mais de uma semana de trabalho para ajustar o time em busca da primeira vitória na competição. Porém, fica a dúvida: como essa equipe de Artur Jorge vai jogar?
Para tentar entender melhor as ideias do treinador português, de 54 anos, o Central da Toca conversou com Pedro Torres, comentarista da Samuca TV, que analisou o estilo de jogo do comandante.
Pedro utilizou como base o Botafogo comandado por Artur Jorge. Pelo clube carioca, o treinador conquistou o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores de 2024, tendo passagem de destaque no futebol brasileiro.
Esquema tático
Artur Jorge costuma adotar uma estrutura base bem definida em suas equipes, com organização ofensiva a partir de um sistema já consolidado.
“Ele colocava o Botafogo para jogar num 4-2-3-1 e aí era um 4-2-3-1 bem típico. Eram dois pontas: ele tinha Savarino e Luiz Henrique e, em um dado momento, o Savarino passou até a ser um pouco 10, com o Almada fazendo a ponta. Ele tinha um ponta de velocidade, de romper no espaço, de drible, que era o caso do Luiz Henrique, e um ponta mais técnico, de mais criatividade. Primeiro, foi o Savarino e, depois, acabou virando o Almada”, disse.

Construção de jogo
Na fase ofensiva, o treinador prioriza uma saída de bola estruturada e um jogo mais direto, com movimentações coordenadas e ocupação de espaços.
“A saída de bola era num 3-1-5-1. Ele usava o Gregore pela direita. Ele era o primeiro volante, baixava perto dos zagueiros para fazer uma saída de três, com o Marlon Freitas à frente, e os dois laterais dando amplitude, abrindo o campo. Tinha três jogadores por dentro, e o Igor Jesus mais isolado, como uma isca, para tentar empurrar a linha defensiva do adversário para trás”, disse.
“Era uma construção de um jogo mais vertical, um jogo mais rápido, tentando o tempo inteiro muita tabela, muita triangulação para conseguir avançar no campo do adversário e tentar essa bola esticada, nas costas da defesa, seja pelo chão e, em alguns momentos, até pelo alto”,
Pedro Torres, comentarista da Samuca TV
“Um outro ponto, que é interessante ressaltar, é que ele tinha muito uma ideia de, às vezes, levar o jogo para um lado e variar muito rápido para o outro. Então, às vezes, a bola está na direita, vai para o lateral do lado esquerdo e vice-versa. E, assim, avançar para construir um cruzamento com muita gente chegando na área, chegando todos os atacantes, algum volante pisando na área também, e o lateral do outro lado”, analisou.

Aspecto defensivo
Sem a bola, as equipes de Artur Jorge apresentam variações de comportamento, alternando momentos de pressão com organização em bloco.
“O Botafogo não era uma equipe que pressionava tanto o adversário lá em cima, que fazia aquela marcação pressão. Mas, em alguns momentos, quando fazia, era um 4-2-3-1. O Igor Jesus, que era o centroavante, ficava só acompanhando os zagueiros. E aí o meia, o camisa 10, tinha um papel de acompanhar o primeiro volante e, em alguns momentos, até trocava. O meia ficava um pouco mais lateralizado, e o Gregore avançava um pouquinho para poder marcar ali o primeiro volante do adversário. Ou seja, ele tirava o primeiro volante dele lá de trás para colocar lá na frente para pressionar o adversário”, afirmou.

“Porém, não era algo comum. Na maioria das vezes, o Botafogo marcava num bloco médio, um bloco baixo, um 4-4-2, igual o Cruzeiro também marcou muito no ano passado. E aí ele deixava o Savarino ou o Thiago Almada ali, quem fosse o meia no momento, ao lado do atacante, do Igor Jesus. E aí, a linha de quatro, do meio campo, era com os dois pontas, mais os dois volantes. Na parte de trás, defesa normal”, ressaltou.
“Era uma equipe que fazia uma marcação por zona, mas uma zona pressionante. Não era uma marcação por zona tipo a do Tite, que era faltava ser um pouco mais ativa, na hora de pressionar o adversário”,
Pedro Torres, comentarista da Samuca TV
O que o Cruzeiro deve mudar?
Por fim, Pedro Torres analisou as principais mudanças que o Cruzeiro pode ter com Artur Jorge, sobretudo no comportamento ofensivo.
“As principais mudanças para mim, que a gente vai ver nesse time do Cruzeiro, é nessa questão mesmo, de o Artur Jorge partir de uma ideia de um ataque mais rápido, mais vertical, de não ficar tanto tempo com a posse, que é algo que acontecia muito com o Tite”, finalizou.

