Peça-chave na gestão de Pedro Lourenço e homem de confiança do técnico Leonardo Jardim, o português Joaquim Pinto concedeu entrevista exclusiva à Samuca TV e ao Central da Toca. Entre os assuntos, o gerente do departamento de scout explicou como é feita a ‘precificação’ dos jogadores no Cruzeiro desde a sua chegada à Toca da Raposa II.
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De imediato, Joaquim destacou as mudanças no perfil das janelas de contratações dos clubes brasileiros e os valores cada vez mais inflacionados. Ele também detalhou como os jovens talentos do Brasil têm saído cada vez mais cedo para o exterior.
“Vocês sabem isso tão bem ou melhor do que eu que o mercado brasileiro mudou muito nos últimos dez anos. O mercado brasileiro avalia um fenômeno muito rapidamente em função do que foi inserido na aldeia global em que o mundo se tornou. E na facilidade com que as transferências, principalmente a partir da Lei Bosman*, o mercado brasileiro começou a ter muito mais fluidez para a Europa”, iniciou.
*Decisão judicial de 1995 que estabeleceu que jogadores com contrato expirado têm direito de sair gratuitamente de seu clube e se transformar em ‘agente livre’.
“No início, houve essa fluidez, mas não com valores muito altos. Mas, depois, começou a se intensificar, porque os clubes europeus sabem perfeitamente que há muito talento no Brasil, e os clubes brasileiros, como é normal, perceberam que podiam vender os seus atletas por um valor superior. Portanto, isso foi inflacionando”, completou o profissional do Cruzeiro.
Como o Cruzeiro atua em uma contratação?
Na sequência, Joaquim Pinto justificou os modos utilizados pelo Cruzeiro para sacramentar uma negociação. O processo, que pode durar dias ou meses, leva o mesmo critério.
“As transferências no Brasil se vê jovens atletas a serem transferidos por 20 milhões de euros. Tornou-se algo habitual. Quando queremos comprar algum atleta, começamos com um preço normalmente abaixo daquilo que é o preço real do atleta, se bem que falar do preço real é muito subjetivo. Não há ninguém que consiga quantificar com precisão o que é o preço real. E o clube vendedor, normalmente, começa por cima, com um preço consideravelmente maior. Alguns até 50% mais”
Joaquim Pinto, gerente de scout do Cruzeiro, sobre a precificação dos jogadores
“Depois, no processo de negociação, vai se tentar criar um equilíbrio em que o clube comprador vai mostrando vontade ou disponibilidade para pagar um pouco mais, e o clube vendedor vai abaixando um pouco mais”, ressaltou.
‘Racionalização do mercado’
Durante a explicação sobre a precificação dos jogadores, o gerente de scout do Cruzeiro também estabeleceu uma relação sobre as necessidades do clube e o que faz a diretoria acelerar ou não uma negociação. É o que ele chamou de “racionalização do mercado”.
“Muitas vezes, há um ponto de equilíbrio que, em certos casos, demora dias. Em outros casos, demora meses. Em alguns, não se faz esse negócio naquele mercado (janela) e só se pode fazer no seguinte, porque há um conjunto de variantes que vão condicionar isso. Identificar o preço é, acima de tudo, zelar pelos interesses do clube. Aqui no Cruzeiro, temos uma regra que é racionalizar o mercado com responsabilidade”.
Cruzeiro está satisfeito com as contratações
Por fim, Joaquim Pinto também demonstrou satisfação com as últimas contratações feitas pelo Cruzeiro. Na janela mais recente, chegaram o lateral-direito Kauã Moraes, o volante Ryan Guilherme e os atacantes Keny Arroyo e Luis Sinisterra. O atacante Néiser Villareal, do Millonarios-COL, assinou pré-contrato e é aguardado já no próximo mês em Belo Horizonte.
O gerente de scout revelou que o Cruzeiro esteve perto de fazer novas aquisições, mas esbarrou em valores elevados, o que não encaixaria na avaliação de boas contratações.
“Neste mercado, estamos contentes com as contratações que fizemos. Poderíamos ter feito outras, mas, a partir do momento em que vemos que o clube vendedor não vai ao encontro daquilo que achamos razoável pela contratação, acabamos por desistir. Uma boa contratação não pode ser só avaliada em função do rendimento e do potencial do atleta. Também é o valor a pagar”
Joaquim, sobre desistência do Cruzeiro em negociações caras
“Quando o atleta se torna demasiadamente caro, deixa de ser uma boa contratação. É preferível não contratar o primeiro da lista por um valor elevado, mas passar ao segundo atleta que está muito próximo do primeiro atleta, mas com um valor consideravelmente mais baixo. Temos que racionalizar não só aquilo que é qualidade do atleta e distribuir em diferentes vertentes, mas também pagar aquilo que é o investimento”, complementou.
“O scout cada vez mais não é só scout. Também é, dependendo da estratégia de cada clube, o processo negocial. Há departamentos de scout em alguns clubes dentro desse processo, e há outros clubes que não, que o scout é só para avaliar os atletas e, depois, a diretoria negocia o atleta”, concluiu Pinto.

