Campeão da Copa Libertadores pelo Cruzeiro, Nelinho relembrou o gol “irresponsável” de Joãozinho na final contra o River Plate-ARG, em Santiago, no Chile, na edição de 1976. No terceiro e decisivo jogo, aos 43’ do segundo tempo, o atacante tomou a liberdade de cobrar uma falta na entrada da área que mudaria a história do clube.
À época, Nelinho já era um dos principais cobradores de falta do mundo e, com frequência, marcava gols pelo Cruzeiro nesse fundamento. Quando o placar estava empatado em 2 a 2, enquanto o lateral-direito se preparava para bater, uma discussão com o volante Piazza culminou na atitude inesperada de Joãozinho.
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“Ele não sabe dizer o porquê fez aquilo. É coisa de Deus. Primeiro: ele nunca bateu falta. Nunca treinou falta. Ele batia bem na bola, mas o negócio dele era driblar. Aí, quando aconteceu a falta, eu já estranhei ele se aproximar da bola. ‘O que ele veio fazer aqui?’. Eu pensei que ele ia falar: ‘Nelinho, ameaça chutar e toca de lado que eu entro (na área) com bola e tudo”
Nelinho, sobre gol de Joãozinho que deu ao Cruzeiro o título de 1976
Em entrevista à TV Cruzeiro, publicada nesta sexta-feira (19), Nelinho destacou que o árbitro chileno Alberto Martínez havia ordenado, antes do jogo, que nenhuma falta poderia ser cobrada sem a sua autorização.
No entanto, um dos gols do River Plate-ARG aconteceu nessas condições, o que revoltou o time do Cruzeiro.
‘Naquele jogo, eles (River Plate) tinham feito um gol que, antes da partida, o árbitro disse que todas as faltas só seriam cobradas a partir do apito dele, que não podia bater antes do apito dele. Teve uma falta a favor, os caras pegaram a bola e rolaram para um outro, o cara bateu para dentro do gol, o Raul estava na bola, nem fez menção de se jogar e pegar, porque não estava valendo. O juiz não apitou, mas validou o gol”, detalhou Nelinho.
Inicialmente, mesmo sabendo que o lateral se preparava para a cobrança, Piazza teve a ideia de tocar para o atacante Palhinha, que estava desmarcado dentro da área.
Essa possibilidade deixou Nelinho incomodado, e os dois começaram a se ofender. Eis que, repentinamente, Joãozinho aproveitou o momento de conflito e encheu o pé para marcar o terceiro e histórico gol do Cruzeiro.
“Estava 2 a 2. Quando aconteceu a falta, o goleiro foi ajeitar a barreira, o Palhinha estava na marca do pênalti, sozinho. O Piazza, com a perna esquerda, foi para bater, eu peguei a perna dele e falei assim: ‘O que é isso, Piazza?’. ‘Não, eu vou bater, o Palhinha está soltinho (livre), ele vai fazer o gol’. ‘Que p* nenhuma, rapaz, eu que vou bater e também vou fazer o gol'”, comentou Nelinho.
“Começamos a discutir, e ele (Piazza) me mandou para aquele lugar e saiu, deu as costas. Quando ele deu as costas, virei e também mandei ele para aquele lugar, xinguei. Foi nesse momento que o Joãozinho correu e bateu. Quando eu virei e ia xingar ele (Joãozinho), vi a bola entrando. Olhei para o árbitro, todo mundo correndo, gol. Falei: ‘Já era, né?’. Aí fomos comemorar”
Nelinho, sobre gol de Joãozinho contra o River Plate-ARG
Zezé Moreira ficou furioso
Apesar de o Cruzeiro ter se consagrado campeão da América, o técnico Zezé Moreira não escondeu a insatisfação com Joãozinho e cogitou deixar o “Bailarino da Toca” no Chile, sem voltar com a delegação campeã.
Porém, uma conversa dos jogadores com o comandante fez com que o autor do gol voltasse com o time para o Brasil.
“Termina o jogo, campeão. Estamos no hotel, todo mundo bebendo lá, na maior farra, o Zezé Moreira, já dentro do vestiário, chamou ele de irresponsável. Deu uma dura nele, que ele era irresponsável, que aquilo não podia ser feito e que ele não ia voltar com a delegação”
“Como é que não vai voltar? O time campeão e vai desembarcar sem o Joãozinho, com gol dele? No hotel, todo mundo já tinha bebido e fomos falar com ele (Zezé Moreira). Fomos eu, Dirceu, Piazza, o Carmine Furletti, para falar que não tinha como voltar sem ele. ‘Não, vai ter que voltar’. Por fim, ele concordou. Ele voltou junto e foi aquela festa”, concluiu.
Camisa em homenagem ao título
Em 2026, o Cruzeiro celebra os 50 anos do primeiro título da Libertadores e tem utilizado o primeiro uniforme com alusão à taça.
Em parceria com a Adidas, foi desenhada uma camisa com o mapa da América do Sul, além das tradicionais cinco estrelas brancas no peito e no tom azul no preenchimento do uniforme.

