Governador do Estado de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) falou sobre a possibilidade de vender o Mineirão ao Cruzeiro. A declaração foi feita em entrevista à Samuca TV, neste sábado (22), durante o pré-jogo da partida contra o Flamengo, ao vivo no YouTube.
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De acordo com o político, com a construção da Arena, estádio do Atlético-MG, e o Independência, que pertence ao América-MG, se abriu a possibilidade de conversar, caso seja o interesse do Cruzeiro.
“No passado, eu te diria que não [venda do Mineirão], porque a gente não poderia escolher um clube para ser o favorito na compra. Hoje, eu não tenho essa preocupação, eu acho que é absolutamente possível conversar se for do interesse do Cruzeiro. Porque afinal de contas, o Atlético-MG tem a Arena, o América-MG sempre teve o Independência, não teria nenhum problema, porque o Mineirão já é a casa da Raposa, já é a casa do Cruzeiro. Então, não vejo nenhum problema se for do interesse do Cruzeiro”
Mateus Simões, sobre uma venda do Mineirão ao Cruzeiro
A discussão foi iniciada devido a um decreto do governo estadual, que impõe restrições quanto à promoção de casas de apostas em bens público estaduais. Como antecipado pelo Central da Toca, a medidia poderia impedir o clube de atuar no Gigante da Pampulha no restante de 2026.
“Agora, não é porque o Estado tá pondo o Mineirão à venda. Não, não é isso, não, gente. É possível falar na venda do Mineirão sendo interesse do Cruzeiro, isso não é um problema. E aí, essas discussões todas que, eventualmente, o Mineirão tem, tanto com a gente quanto com a Minas Arena, acabariam se eles resolvessem comprar efetivamente o estádio. Então é sim possível, mas a gente nunca sentou para discutir de forma mais séria esse tema com o clube, mas estou aberto, se o clube quiser, basta uma lei autorizando a venda”, complementou.
Qual o valor do Mineirão?
Questionado sobre os valores para a aquisição do estádio, Mateus Simões comparou com a construção da Arena, estádio do Atlético-MG. De acordo com o governador, o Estado já fez avaliações, baseados no custo da construção.
Como divulgado pelo rival do Cruzeiro, o estádio teve um custo aproximado de R$ 1,035 bilhão.”Por incrível que pareça, a gente já chegou a ter algumas avaliações do passado com base no custo de construção de um estádio equivalente ao Mineirão. Então a gente tem as estimativas do custo de construção na época em que a Arena estava sendo construída. O que se concluiu na época é que o custo do Mineirão, o valor do Mineirão é equivalente ao valor da Arena por motivos diferentes. Ele é maior, mas ele é menos moderno, então ele acaba valendo mais ou menos o mesmo tanto que a Arena, só que eu não tenho o dado atualizado do custo da Arena, já faz um tempo já que a Arena ficou pronta”, concluiu.
Decreto do Governo de Minas
O imbróglio surgiu na última quinta (20), quando o Governo de Minas Gerais publicou o Decreto Estadual nº 49.279, que entrou em vigor imediatamente e proíbe publicidade, propaganda, promoção comercial e patrocínio de casas de apostas em espaços públicos estaduais, como o Mineirão.
A determinação envolve espaços como placas, painéis, faixas, totens, telões, sistemas de sonorização, ações de ativação de marcas e camarotes.
O problema é que as competições organizadas pela CBF têm propriedades comerciais ligadas às casas de apostas. No documento enviado ao Cruzeiro, a entidade destacou que é responsável pelos direitos de exploração comercial do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, torneios que a Raposa ainda disputa na temporada.
Segundo a CBF, os clubes participantes precisam cumprir integralmente os regulamentos e as normas de proteção às propriedades comerciais da entidade e de seus parceiros.
No ofício, a entidade afirmou que essas obrigações “não poderão ser observadas pelo Cruzeiro caso mantenha suas partidas no Mineirão sob a vigência do decreto”.
A CBF também ressaltou que o fato de a restrição partir do Governo de Minas não retira do Cruzeiro, como mandante, a responsabilidade de garantir um estádio que permita o cumprimento das obrigações comerciais previstas nas competições. No entanto, agora, as partes manterão conversas para que o Cruzeiro siga no Mineirão.
O que diz a CBF sobre o decreto
No documento, a CBF ressaltou que não faz, neste momento, qualquer avaliação sobre a validade ou a proporcionalidade da medida adotada pelo Governo de Minas.
A entidade argumenta, porém, que precisa resguardar a estabilidade das competições e as respectivas propriedades comerciais, especialmente porque o Cruzeiro segue na disputa do Brasileirão e da Copa do Brasil.
O ofício, datado nessa sexta (21), foi assinado por Julio Avellar, diretor de competições da CBF, e encaminhado a Pedro Lourenço, presidente da SAF do Cruzeiro, com cópia para Castellar Modesto Guimarães Neto, presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF).
O que diz o Mineirão
Procurada pelo Central da Toca, a concessionária Minas Arena, que administra o Mineirão, informou que tomou conhecimento do decreto publicado pelo Governo de Minas Gerais e que cumprirá a nova regulamentação nos espaços e ativos que estão sob responsabilidade da concessionária.
Confira a nota na íntegra:
“O Mineirão informa que tomou conhecimento da publicação do Decreto Estadual nº 49.279/2026 e que observará a nova regulamentação no que se refere às atribuições, aos espaços e aos ativos sob sua responsabilidade no complexo do estádio.
A concessionária seguirá acompanhando os desdobramentos da regulamentação e mantendo os alinhamentos necessários com os demais agentes envolvidos na realização das partidas de futebol no Mineirão”.
Posicionamento do Cruzeiro
Na tarde deste sábado (22), o Cruzeiro emitiu uma nota e confirmou o diálogo do clube com o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD). Nos próximos dias, haverá uma reunião entre representantes do clube com o secretário da Casa Civil do governo estadual para discutir a situação.
Ainda conforme a Raposa, o Cruzeiro não será mesmo afetado pelo decreto do governo que proíbe a veiculação de casas de apostas em espaços públicos em Minas. Leia a nota na íntegra:
“O Cruzeiro Esporte Clube – SAF endossa que o governador de Minas Gerais, Matheus Simões, procurou, na manhã deste sábado, o presidente do Clube, Pedro Lourenço acerca dos desdobramentos relacionados ao Decreto Estadual nº 49.279/2026, publicado no Diário Oficial do Estado, e do consequente ofício encaminhado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao Cruzeiro sobre a realização dos jogos do Clube no Mineirão.
Durante a conversa, o governador Matheus Simões assegurou ao presidente Pedro Lourenço que o Cruzeiro e sua torcida não serão prejudicados em razão das medidas previstas no decreto.O Chefe de Estado garantiu que o Clube seguirá mandando normalmente suas partidas no Mineirão.
Ficou estabelecido também que, na próxima semana, será realizado um encontro entre representantes da diretoria do Cruzeiro e o secretário da Casa Civil do Governo de Minas Gerais.
A reunião terá como objetivo aprofundar o diálogo para esclarecer os fundamentos e os impactos da medida adotada pelo Governo. Além de dar o encaminhamento necessário para garantir a continuidade da realização dos jogos do Cruzeiro no estádio.
O Cruzeiro reitera sua disposição para o diálogo institucional e seguirá acompanhando o tema de forma responsável, sempre tendo como prioridade os interesses do Clube e, sobretudo, de sua torcida”.


