Contestado por boa parte da torcida do Cruzeiro, Matheus Cunha tem a titularidade ameaçada antes do jogo contra o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro. Nessa quarta-feira (15), o goleiro voltou a ser alvo de críticas após a derrota para a Universidad Católica-CHI, no Mineirão, em Belo Horizonte, pela Copa Libertadores.
Desde a grave lesão de Cássio, Matheus Cunha já disputou nove partidas como titular do Cruzeiro. Os dados incluem sete rodadas do Brasileirão e as duas disputadas na fase de grupos da Libertadores.
Segundo levantamento feito pelo perfil Cruzeiro Stats, o camisa 31 sofreu 13 gols no período, enquanto fez 15 defesas nesse mesmo recorte. A média é de quase um gol sofrido a cada defesa feita por Matheus Cunha em jogos pela equipe celeste.
Nos nove jogos com Matheus Cunha como titular, o Cruzeiro passou apenas três sem sofrer gol, ou seja, foi vazado em 67% dos compromissos.
Diante da Universidad Católica-CHI, Matheus Cunha fez duas defesas, mas não conseguiu evitar as únicas duas chances criadas pelo adversário do Cruzeiro na partida.
Além do duelo pela Libertadores, Matheus Cunha fez duas defesas nos seguintes compromissos: no empate contra o Vasco (3 a 3), na derrota para o Athletico-PR (2 a 1) e na vitória sobre o Barcelona-EQU (1 a 0).
As outras defesas
A maior marca pessoal de Matheus Cunha pelo Cruzeiro foi na vitória contra o Bragantino (2 a 1), quando fez três defesas. O goleiro falhou no tento anotado pelo rival e foi vaiado, enquanto parte da torcida passou a aplaudir o atleta na sequência do jogo.
Na derrota para o Flamengo (2 a 0), no empate contra o Santos (0 a 0) e na goleada sobre o Vitória (3 a 0), Matheus Cunha fez uma defesa no decorrer dos 90 minutos de cada partida.
Titularidade ameaçada
Na coletiva pós-jogo, nessa quarta (15), Artur Jorge foi perguntado se existe a possibilidade de o jovem Otávio, de 20 anos, ser titular do Cruzeiro já no duelo com o Grêmio. As equipes vão se enfrentar no sábado (18), às 20h30 (de Brasília), no Mineirão, pela 12ª rodada do Brasileirão.
Inicialmente, Artur Jorge revelou conversas com os atletas no vestiário sobre a importância de se ter confiança no grupo. O questionamento também envolveu o lateral-direito William, também criticado pela torcida.
“Eu trabalho muito com os jogadores no sentido que eles possam ser capazes de superar todos os momentos. E, particularmente, nos nomes que me diz ou outros que possam ser mais criticados, e eu digo que é importante que a maior exigência seja a deles”, disse.
“Nunca vamos ser suficientemente bons para a opinião dos outros. Tive uma conversa com eles, em que falei que o sucesso é um processo que precisa de tempo. O sucesso precisa de tempo, de comprometimento, de paciência, para nós conseguirmos atingir objetivos. O insucesso é imediato. E a verdade é que estou aqui dando a cara pelo insucesso. E que, facilmente, é criticável, facilmente, é questionado”, completou.
Artur Jorge, porém, não descartou uma troca no gol do Cruzeiro diante do Grêmio. Vale destacar que a partida pode marcar a saída da equipe da zona de rebaixamento do campeonato.
“Agora, nós temos que proteger os jogadores e protegê-los dependendo muito daquilo que é também a sua personalidade. Muitas vezes é colocá-los novamente lá dentro para que eles possam mostrar que são mais do que aquilo que às vezes pensam deles. Outros, é protegê-los um bocadinho mais, jogar menos, porque são emocionalmente mais frágeis”, acrescentou.
“Não há um plano igual para todos. Cada um de nós tem personalidades e caráter diferentes. Temos que tentar gerir isso em função de cada um. Estamos para tentar avaliar de dentro aquilo que cada um possa precisar, sendo que o mais importante será sempre o que a equipe precisa e aquilo que nós precisamos fazer: trabalhar para conseguir mais vezes”, finalizou.
O treinador português também foi questionado especificamente sobre Matheus Cunha, mas, novamente, evitou individualizar a situação.
“A questão que me coloca sobre o jogador A, B ou C, todos os jogadores têm que estar preparados para, quando chamados, corresponder. A exigência neste momento é muito grande, porque a situação geral acaba por gerar algum desconforto em relação aos resultados, mas temos que ter serenidade para continuar a acreditar no trabalho que estamos a fazer”, afirmou.

