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Comentaristas da Samuca TV debatem espaço para jovens no Cruzeiro após saída de cria da Toca

Saída de William Fernando reacendeu debate sobre oportunidades para jovens da base e a estratégia do clube celeste para o desenvolvimento de talentos

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Promissor cria da Toca, William Fernando foi anunciado oficialmente como novo jogador do Avaí na noite dessa quinta-feira (4). A saída de mais um atleta formado nas categorias de base do Cruzeiro foi tema de debate na live da Samuca TV nesta sexta-feira (6).

O Central da Toca já havia antecipado, no fim do mês passado, as negociações avançadas entre Cruzeiro, Avaí e o lateral-esquerdo de 20 anos.

Embora não tenha recebido compensação financeira pela transferência, o Cruzeiro manteve 40% dos direitos econômicos do jogador, de olho em uma possível negociação futura.

Para o comentarista Pedro Torres, a situação de William Fernando vai além de um caso isolado e reforça uma discussão recorrente sobre o aproveitamento de jovens formados na Toca da Raposa.

“Isso não vem só na situação do William Fernando. A gente pode falar melhor dela, até porque é a pauta do momento. E, assim, foi um jogador que era um atleta sempre bem quisto nas categorias de base do clube, que teve uma infelicidade de passar por uma lesão que o tirou por um certo tempo e, quando voltou, não à toa, ele até meio que surpreendeu algumas pessoas, porque ele estava naquele grupo que compôs o início do Cruzeiro de campeonato mineiro. Do profissional”, iniciou. 

“A gente tinha a sensação de que, até a janela, ele poderia figurar, entrar na rotina ali dos profissionais, para ele ser observado, ao lado do Gustavinho, talvez. E não foi o que aconteceu. O Cruzeiro, na primeira oportunidade que teve, negociou com o Avaí. O Cruzeiro poderia ter renovado o contrato, ou seja, o atleta é seu, se ele vai para lá e destaca, você já tem ele numa amostragem profissional”

Pedro Torres, comentarista da Samuca TV

Kaiki é exemplo

Já a comentarista Rapha Oliveira citou o exemplo de Kaiki para defender que jogadores formados nas categorias de base precisam de tempo e oportunidades para se consolidarem no elenco principal. Hoje titular absoluto da lateral esquerda celeste e alvo do mercado europeu, o defensor precisou superar a concorrência no setor antes de conquistar seu espaço.

“Quando o Kaiki sobe, ele não sobe como um ‘extra classe’. Não era a avaliação ali naquele momento e ele, inclusive, sobe num contexto muito difícil do Cruzeiro, um momento todo muito complicado, e ele demora a se firmar. Primeiro, porque é um processo natural, nem todo mundo vai chegar e jogar como se não fosse nada. E também por percalços, de uma concorrência com um jogador como o Marlon, por exemplo, que tinha uma grande temporada no Cruzeiro, a sua primeira, mas que depois oscilou muito”, comentou.

“E o Kaiki teve que lutar contra isso. E no momento que o Kaiki, na temporada passada, tem a sua sequência, a partir do momento que o Marlon é negociado com o Grêmio, dá esse voto de confiança para o Kaiki, ele faz não só a melhor temporada da carreira profissional dele, ele faz a melhor temporada entre todos os laterais esquerdos em todo o Campeonato Brasileiro”

Rapha Oliveira, comentarista da Samuca TV

Além disso, Rapha Oliveira criticou a falta de continuidade no planejamento para a utilização da base celeste. Na visão da comentarista, o Cruzeiro precisa ter mais convicção no trabalho realizado nas categorias inferiores para potencializar retornos esportivos e financeiros.

“Eu acho que precisa dar tempo ao tempo para as coisas acontecerem. O Cruzeiro, a diretoria do Cruzeiro, não parece ter essa convicção. E as peças mudam da diretoria, o dono muda, e a gente continua esbarrando nessas dificuldades. Um clube como o Cruzeiro, que nunca vai ter o maior faturamento do futebol brasileiro, ele precisa olhar para a sua categoria de base com método, e ele não pode sub utilizá-la, ele não pode fazer vendas abaixo que valor, sabe? Tem que extrair o máximo tecnicamente e financeiramente”, finalizou.

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Thaynara Amaral
Thaynara Amaral é repórter do Central da Toca. Jornalista formada pela UFMG, cobriu o Cruzeiro pelo ge.globo e também atuou no Superesportes, do jornal Estado de Minas. Desde 2023, passou a explorar novas áreas da comunicação. Natural de Araxá, saiu do interior movida pelo amor ao Cruzeiro — e foi por ele que escolheu o jornalismo.
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