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Tite cita jovem do Cruzeiro que ‘joga muito’ e fala pela primeira vez após demissão

Ex-treinador da Raposa relembrou passagem pelo clube, comentou erros no planejamento e exaltou cria da Toca

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Quase dois meses após deixar o Cruzeiro, o técnico Tite falou pela primeira vez sobre a demissão do clube celeste. Em entrevista ao Abre Aspas, do ge, o treinador relembrou a curta passagem pela Raposa, analisou os motivos que levaram à saída e destacou Kaique Kenji, cria da Toca de 20 anos.

Tite comandou o Cruzeiro em 16 partidas e, apesar do início ruim no Campeonato Brasileiro, conquistou o título do Campeonato Mineiro. Segundo o treinador, a expectativa era permanecer por mais tempo no projeto celeste.

“Sentia, sim, que iria permanecer no Cruzeiro para fazer o trabalho a médio e longo prazo, o ano todo. Foi proposto até dois anos de contrato, eu disse: “não, um ano só e depois avalia”. Para que tenha esse período todo de trabalho, para fazer um trabalho que não é bom nem ruim, é um trabalho que não terminou. Porém, com parcelas importantes”, iniciou.

O treinador também relembrou a conversa inicial com a diretoria do Cruzeiro e destacou a importância do título estadual para o clube e a torcida.

“O primeiro objetivo quando nós sentamos, nas poucas vezes que conversamos antes, foi: o objetivo do Cruzeiro? Ser campeão mineiro, uma retomada após seis anos. E na minha apresentação eu coloquei a eles todos, a toda a família, que é uma família extraordinária que vive e ama o Cruzeiro, ela transpira Cruzeiro, esse reconhecimento se faz a todos eles de uma maneira extraordinária”, disse. 

Tite aponta erros e cita pressão no Cruzeiro

Ao analisar a passagem pelo Cruzeiro, Tite admitiu que algumas decisões poderiam ter sido diferentes, principalmente em relação ao aproveitamento dos atletas.

“E aí um planejamento que ele poderia ter sido melhor, mas iniciando sem os principais atletas, demorou para engrenar. O que eu faria diferente? Eu traria os atletas mais da equipe base anteriormente. Colocar as crias da Toca para jogar, como aconteceu, né? Para dar a elas (sequência), elas precisam dessa oportunidade, e os regionais também. Porém, os resultados que não aconteceram nos pressionaram”, comentou.

O treinador também relembrou o início ruim da equipe na temporada, citando derrotas importantes, como no clássico diante do Atlético-MG, na primeira fase do Mineiro, e a goleada sofrida para o Botafogo, pelo Brasileirão.

“Tanto é que foram oito primeiros jogos. Nós jogamos os três primeiros dando um tempo para que os atletas se condicionassem fisicamente. Depois teve uma integração, e nesse meio tempo nós fizemos oito jogos e perdemos cinco. Nesses cinco está a perda do clássico, que é muito importante, e o Atlético-MG foi melhor e mereceu. E o início do Campeonato Brasileiro, em que a gente perdeu para o Botafogo com o placar dilatado. Isso gerou uma intranquilidade”, afirmou.

Apesar disso, Tite destacou a ‘recuperação’ momentânea da equipe na sequência da temporada com a conquista do Campeonato Mineiro.

“Depois disso, falando em resultados desportivos, aí sim, mais ajustado, mais treinado, nós fizemos nove jogos, fomos campeões mineiros. Não só campeões mineiros, mas ganhando o clássico. E aí foi de uma forma muito emblemática, incisiva. Isso chancelou, e fizemos uma sequência de cinco ou seis jogos vencendo”, disse.

“Fomos campeões mineiros numa situação de ver o quão alegre uma torcida toda… Nunca tinha tido assim, com as famílias comemorando dentro do campo, e as famílias todas dos atletas estando ali, muito próximas do torcedor, com as famílias do Pedrinho presente, do Júnior. Então, nesses nove jogos nós fomos perder um jogo, contra o Flamengo”, afirmou.

Tite elogia Kaique Kenji: ‘Joga muito’

Durante a entrevista, Tite também rasgou elogios ao atacante Kaique Kenji, um dos crias da Toca. O treinador afirmou que o jovem ‘joga muito’ e relembrou um episódio marcante vivido com o atacante.

Tite citou a vitória do Cruzeiro sobre o Tombense, por 2 a 1, pela 2ª rodada do Mineiro, quando Kaique Kenji marcou o primeiro gol como profissional.

“É um atacante pelo lado esquerdo, de um contra um, e uma capacidade de finalização enorme. Nós fizemos o primeiro jogo em casa só com garotos e perdemos de 1 a 0. Ele não foi legal. Eu digo: “cara, tu não formas atleta assim”. Nós íamos jogar fora e ganhar o campeonato é duro, as equipes estão preparadas fisicamente antes, no embate. Eu disse: vamos manter (o Kenji)”, iniciou.

Na sequência, Tite revelou uma conversa motivacional que teve com o jogador antes da partida.

“A gente foi conversar com ele, ter um approach, eu disse: “cara, segue, tu tens uma capacidade técnica, acelera e desacelera, um contra um, tu sai dos dois lados, só procura perceber que os caras estão marcando muito por dentro, porque a tua finalização de concha, exatamente de pé trocado, é muito qualificada. E o cara está te dando o fundo. Daqui a pouco, pedala e puxa para o fundo também”. E nisso eu já estou passando que ele vai jogar, passando a confiança”, contou.

O treinador ainda relembrou o momento após o gol marcado pelo jovem atacante.

“E no final da situação eu coloquei para ele: “vai lá, faz um gol e vem me abraçar”. Peguei e saí, no sentido de descontração. Nós vamos jogar o segundo jogo, olha o que acontece: quem faz o gol? Kenji. De que forma? Trouxe para dentro, ele foi meio de bico, meio de lado. Ele comemorou e eu disse: esse moleque joga muito mesmo”,

Tite, ex-treinador do Cruzeiro

“Quando eu vi quem estava do meu lado, na beira do campo, para me dar um abraço, o garoto. Eu não tinha tido a dimensão do quanto aquilo era importante para ele, de confiança. Cara, a camisa do Cruzeiro é pesada. E ele, primeiro gol no profissional, primeira situação importante. Sabe? Eu falei aquilo brincando para gerar confiança, e ele estava ali para me dar um abraço”, finalizou.

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Thaynara Amaral
Thaynara Amaral é repórter do Central da Toca. Jornalista formada pela UFMG, cobriu o Cruzeiro pelo ge.globo e também atuou no Superesportes, do jornal Estado de Minas. Desde 2023, passou a explorar novas áreas da comunicação. Natural de Araxá, saiu do interior movida pelo amor ao Cruzeiro — e foi por ele que escolheu o jornalismo.
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