A Justiça de Minas Gerais julgou procedente ação movida pelo Cruzeiro em 2020 contra o ex-presidente Wagner Pires de Sá e o ex-vice-presidente de futebol Itair Machado.
Em decisão de primeira instância, publicada no último dia 15, a juíza Cláudia Coimbra Alves concordou que o clube celeste não deveria ter sido responsável por contratar um escritório de advocacia para defender Itair em ações movidas contra ele por Bruno Vicintin, também ex-dirigente do clube celeste.
De acordo com a sentença, obtida pelo Central da Toca, Itair e Wagner terão que devolver aos cofres do Cruzeiro o montante de R$ 49.360,01. O valor ainda será corrigido monetariamente e acrescido de juros. A decisão ainda cabe recurso.
O processo trata da contratação, com dinheiro do Cruzeiro, de um escritório de advocacia para defender Itair Machado em ações criminais pessoais movidas pelo ex-vice-presidente Bruno Vicintin. À época, Wagner Pires de Sá, então presidente do clube, assinou a contratação.
Na ação, o Cruzeiro alegou que o pagamento da defesa não tinha relação com interesses institucionais do clube, já que os processos envolviam acusações de ameaça, difamação e injúria contra Vicintin.
O entendimento foi acolhido pela Justiça, que considerou ter havido “desvio de finalidade” no uso dos recursos da associação.
A decisão também determina a manutenção do bloqueio e da indisponibilidade de bens e valores de Wagner e Itair até a quitação integral do débito. Além disso, os dois foram condenados ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.
Ex-dirigentes do Cruzeiro
Wagner Pires de Sá foi eleito presidente do Cruzeiro em dezembro de 2017, para mandato até o fim de 2020, mas renunciou ao cargo em dezembro de 2019, em meio à grave crise política e financeira vivida pelo clube. O ex-dirigente chegou a ser investigado pela Polícia Civil em apurações relacionadas a suspeitas de falsidade ideológica, falsificação de documento particular e lavagem de dinheiro.
Já Itair Machado deixou o cargo de vice-presidente de futebol do Cruzeiro em outubro de 2019, também durante o período de turbulência administrativa e esportiva vivido pelo clube. Assim como Wagner, o ex-dirigente foi alvo de investigações da Polícia Civil envolvendo a gestão celeste.

