Emerson Araújo
Emerson Araujo é colunista no Central da Toca e jornalista formado no UniBH. Produz vídeos sobre o Cruzeiro no Canal Seis a Um desde 2017 e integra a equipe da Samuca TV, ambos no YouTube. Trabalhou como assessor de imprensa de jogadores de futebol, na Câmara Municipal de Belo Horizonte e no Jornal O Tempo. Vive o sonho de trabalhar falando de Cruzeiro.

Senhoras e senhores: Otávio! E Neyser…

Em sua coluna, Emerson Araújo analisou o desempenho de Otávio e Néiser, atletas do Cruzeiro, a partir do duelo contra o Boca Juniors na Bombonera

O empate por 1 a 1 contra o Boca Juniors em Buenos Aires garantiu ao Cruzeiro uma vantagem importante na Libertadores: depender apenas das próprias forças contra o Barcelona de Guayaquil para se classificar para as oitavas de final. Em um jogo cercado de muita expectativa e pressão sobre a arbitragem, alguém chamou mais atenção que Jesus Valenzuela e a cabine do VAR: o goleiro Otávio.

A frase título deste texto foi proferida pelo icônico narrador argentino Mariano Closs, após as defesas em sequência realizadas pelo jovem goleiro celeste aos 12 minutos de partida, parando Aranda e Gimenez. E podemos dizer que o décimo primeiro jogo de Otávio como goleiro do time profissional do Cruzeiro foi uma apresentação de gala para o mundo do futebol.

Uma derrota na Bombonera deixaria os comandados de Artur Jorge em uma situação muito complicada para a última rodada. Não podemos naturalizar que um goleiro de 20 anos faça 9 defesas em um jogo de fase de grupos, mas que soava com caráter eliminatório. Vestindo a camisa de um clube gigante, em um dos palcos mais icônicos da América do Sul.

O grande diferencial dos jogadores de elite é a capacidade mental de se manter em alto nível e superar eventuais adversidades no jogo. Otávio falhou no gol do Boca, após uma cobrança de falta venenosa de Paredes que Merentiel completou. O importante foi não se abater, seguir concentrado na missão e deixar o campo como o melhor da partida.

O mesmo Otávio havia sido titular na vitória sobre o Boca por 1 a 0 no Mineirão, mas naquele dia não precisou trabalhar muito. Os hermanos, em postura covarde, não acertaram sequer uma finalização no alvo. E o herói celeste naquela noite no Mineirão foi Neyser Villareal. Chamado por Artur Jorge aos 30 do segundo tempo, entrou para marcar o gol da vitória completando cruzamento de Kaio Jorge.

O mesmo Neyser que poderia ter sacramentado a classificação antecipada na Bombonera. Ganhou da marcação na força, saiu na cara de Leandro Brey, teve tempo para pensar na melhor conclusão e finalizou em cima do goleiro. Um erro técnico grave, que precisa de cobrança interna e correção. Mas que não resume a qualidade ou o compromisso do jogador, como alguns jornalistas colocaram de maneira irresponsável.

Quando o Cruzeiro assinou com o artilheiro do último Sul-Americano e do último Mundial sub-20 pela Seleção da Colômbia, sabia não estar contratando um jogador pronto. Foi uma oportunidade de mercado bem aproveitada pelo scout, chefiado por Joaquim Pinto. Um jogador que vinha de um 2025 atribulado, afastado no Millionarios por não topar uma renovação de contrato e que ainda perdeu parte do ano por lesão.

Mais uma ironia que liga os dois atletas: Otávio estava no mesmo Mundial sub-20 em que Neyser brilhou. E o Brasil deu vexame, nem passando da primeira fase e sofrendo 5 gols em 3 partidas. O que só reforça que não podemos ter pressa para tirar conclusões sobre atletas deste nível e tão jovens. A atual cultura das redes antissociais cria bagres e mitos a cada jogo e nenhum dos extremos corresponde à realidade.

São jovens extremamente talentosos, entre os mais promissores do mundo. E ainda assim vão oscilar, porque os experientes também oscilam. Ou já nos esquecemos que Kaio Jorge e Christian também perderam boas chances de gol? Um jogo de futebol de 90 minutos raramente vai ser definido por apenas uma ação ou um atleta.

Não foi a primeira chance de gol perdida por Neyser, o que mostra para a comissão técnica um ponto de melhoria do nosso jovem atacante. Mas com tempo e treinamento de qualidade, ele tem tudo para desenvolver este fundamento do seu jogo. Os 4 gols marcados e a assistência distribuída neste início na Toca da Raposa mostram que ele vale a aposta.

Impossível não fazer a comparação com Igor Thiago, que foi perseguido por parte da torcida enquanto defendeu o Cruzeiro há poucos anos e agora disputará a Copa do Mundo com a Seleção Brasileira. E aí está a beleza de se trabalhar com jovens, eles melhoram. Nós estamos preparados para ter um mínimo de paciência no momento de dificuldade ou vamos repetir os mesmos erros para sempre?

Emerson Araújo
Emerson Araujo é colunista no Central da Toca e jornalista formado no UniBH. Produz vídeos sobre o Cruzeiro no Canal Seis a Um desde 2017 e integra a equipe da Samuca TV, ambos no YouTube. Trabalhou como assessor de imprensa de jogadores de futebol, na Câmara Municipal de Belo Horizonte e no Jornal O Tempo. Vive o sonho de trabalhar falando de Cruzeiro.
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