Entre os gols de Kaio Jorge, a maestria de Matheus Pereira e os milagres de Otávio, a maior esperança do torcedor cruzeirense para o segundo semestre está fora de campo.
Em uma temporada conturbada, marcada por um início muito abaixo do esperado sob o comando de Tite, o Cruzeiro segue vivo em todas as competições de mata-mata e ocupa uma posição intermediária no Brasileirão, resultado direto do trabalho competente do técnico Artur Jorge.
Dos 37 jogos oficiais disputados pelo clube em 2026, 19 aconteceram antes de sua chegada e 18 depois. Um recorte quase dividido ao meio, o que permite um comparativo bastante direto sobre o impacto do atual treinador no desempenho da equipe dentro de campo.
Nos 19 jogos sem Artur Jorge, o Cruzeiro somou 8 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. Já é um aproveitamento ruim por si só, ainda mais considerando o investimento feito no elenco (manutenção de Matheus Pereira e Kaio Jorge, chegada de Gerson, entre outros). Mas o cenário fica ainda mais grave quando se olha mais de perto: todas as vitórias sob o comando de Tite vieram exclusivamente no Campeonato Mineiro.

Excluindo o estadual, e ainda sem Artur Jorge, o Cruzeiro entrou em campo 8 vezes (todas pelo Brasileirão) somando 4 empates e 4 derrotas. Um aproveitamento de apenas 16,7%, o pior da história do clube em 105 anos de existência, considerando todas as suas participações em torneios nacionais (o tradicional Brasileirão).
Ou seja: Artur Jorge elevou o desempenho do Cruzeiro em todas as frentes, tanto no somatório geral quanto no recorte específico do Brasileirão. E com um agravante a seu favor: ele não disputou uma única partida do estadual, competição em que o nível de enfrentamento costuma ser bem inferior ao das demais disputas (Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores).
Para se ter uma ideia do salto, desde a estreia de Artur Jorge o Cruzeiro figura entre as 4 melhores campanhas do Brasileirão, ao lado de Palmeiras, RB Bragantino e Flamengo. Além disso, soma exatamente os mesmos 20 pontos, em 30 disputados, do seu adversário nas oitavas de final da Libertadores, comandado pelo ex-técnico celeste Leonardo Jardim.

Olhando para o cenário dos gols, Artur Jorge conseguiu melhorar o desempenho ofensivo e defensivo da equipe. Com o português, o Cruzeiro marcou gol em 17 dos 18 compromissos oficiais, um aproveitamento próximo dos 94%, além de ter aumentado a taxa de jogos sem sofrer gols, os famosos “clean sheets”, em 38%.
No geral, com os mesmos jogadores que iniciaram a temporada, Artur Jorge organizou a equipe, melhorou as médias de gols marcados e sofridos e os resultados vieram. Ainda há margem para melhorar, mas é um ponto de partida extremamente animador visando um projeto a longo prazo.
De fato, existem lacunas evidentes no elenco, e a movimentação do Cruzeiro na janela de transferências ficou aquém do esperado pela maioria da torcida. Mesmo assim, minha expectativa para o segundo semestre segue alta — e tem nome e sobrenome: Artur Jorge.

