O chefe do departamento de scout do Cruzeiro, Joaquim Pinto, revelou em entrevista exclusiva ao Central da Toca e à Samuca TV, que o clube celeste já traça planos concretos para ampliar sua atuação em um outro mercado: o africano.
+ Leia mais: Joaquim Pinto revela que Cruzeiro recusou oferta de clube ‘top mundial’
Segundo Joaquim, o continente tem um enorme potencial e deve se tornar um dos principais celeiros de talentos do futebol mundial nos próximos anos.
“Eu continuo a acreditar que vai ser o continente (África) que vai explodir, num bom sentido, para o mercado”, afirmou.
“Infelizmente, na África, e aí é uma questão social a qual todos temos de ser sensíveis, as condições muitas vezes não ajudam os atletas no desenvolvimento das suas capacidades. É um mercado em que estamos muito atentos, e posso lhe dizer que há atletas que temos identificado o talento em idades precoces, mas, como sabem, só a partir dos 18 anos é que nós podemos contratar algum atleta. É uma regra da FIFA”,
Joaquim Pinto, chefe do departamento de scout do Cruzeiro
Joaquim também destacou o abismo social enfrentado por muitos jovens atletas africanos, o que acaba impactando diretamente em suas trajetórias. Mesmo com talento acima da média, muitos enfrentam dificuldades básicas no dia a dia.
“O que nós muitas vezes vemos são atletas de 14, 15 anos, com um talento enorme e, muitas vezes, alguns deles têm uma refeição por dia. E, portanto, estão em plena desvantagem em relação a outros atletas que não têm o mesmo talento, mas têm outras condições”, disse.
Para ele, o investimento de clubes com mais estrutura pode ser determinante para transformar realidades e revelar talentos de alto nível.
“Aquilo que eu desejo é que os clubes com maior capacidade financeira continuem investindo na África e, alguns deles, já estão abrindo academias, para poder dar mais oportunidades a esses atletas. E, com melhores condições de vida, certamente, eles vão chegar a um nível superior”, comentou.
Parcerias a caminho
Ainda durante a entrevista, Joaquim reforçou que o Cruzeiro já atua nos bastidores para ampliar sua presença no continente. O clube projeta parcerias estratégicas e o monitoramento contínuo de jovens promissores.
“Reparem, há seleções nacionais, isso é importante que seja dito, que a base das suas seleções são atletas com origens africanas. E, portanto, isso prova que foram pais que migraram, que foram para outros continentes, mas a natureza e origem estão lá. E isso é a maior prova de que vale a pena investir na África”, iniciou.
“O Cruzeiro, naturalmente, posso lhe dizer, que já estamos criando parcerias nesse sentido, para que, gradualmente, a gente invista no mercado africano. E, se puderem vir na idade certa, vêm com uns 18 anos, se não, que fiquem lá a desenvolver as suas capacidades e, quando chegar a idade permitida, transfiram para o Cruzeiro”, finalizou.

