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Tite e Jardim se parecem? Especialista analisa semelhanças entre novo e ex-técnico do Cruzeiro

Especialista analisa estilos de Tite e Jardim e aponta semelhanças entre os treinadores

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Tite, novo treinador do Cruzeiro, terá uma missão importante pela frente: substituir Leonardo Jardim, que fez ótima temporada pelo clube e caiu nas graças da torcida celeste. Para entender como pode ser essa transição de ideias, a Samuca TV entrevistou Douglas Batista, especialista da Footure, plataforma de análise de futebol, para comentar as possíveis semelhanças entre os dois comandantes.

+ Leia mais: Samuel Venâncio diz o que apurou sobre condições financeiras de Tite no Cruzeiro

Segundo Douglas, Tite e Jardim têm mais em comum do que se imagina, especialmente em relação à organização defensiva. Ele destaca que ambos priorizam a solidez na marcação, algo que foi evidente no desempenho da Raposa nesta temporada.

O Cruzeiro, por exemplo, teve em 2025 a terceira melhor defesa do Campeonato Brasileiro e terminou o ano com seu maior número de jogos sem sofrer gols na competição. Além disso, não foi vazado até as semifinais da Copa do Brasil, marca que reforça o pilar defensivo da equipe sob o comando de Jardim.

“Acredito que eles têm muitas semelhanças de acordo com a estrutura. Vamos começar pela parte defensiva, porque todo mundo gosta de citar a solidez defensiva das equipes do Tite e, realmente, acredito que seja o ponto principal. A forma da equipe de Tite defender se assemelha com a do Leonardo Jardim”, iniciou.

“De forma geral, eles optam por uma marcação por zona, não numa marcação individual. O Tite foi um precursor nisso no futebol brasileiro, foi um dos primeiros a trazer isso ao Brasil. Então, essa questão de adaptação à forma de marcar já não vai ter essa ruptura”

Douglas Batista, especialista da Footure

Apesar das semelhanças, Douglas apontou diferenças nas estruturas de marcação utilizadas por cada um.

“Talvez a estrutura seja um pouco diferente. O Leonardo Jardim gosta de marcar com duas linhas de quatro e dois jogadores à frente, que eram Matheus Pereira e Kaio Jorge. O Tite já tem alguma alternância. No Flamengo, ele também fazia isso, só que, na Seleção e no Corinthians, ele optava por um 4-1-4-1, ou seja, ele tinha no meio das duas linhas de quatro, um volante cobrindo espaço nas costas dos jogadores de meio-campo. Ele gosta muito desse volante que cobre o espaço”, ressaltou.

Estilos ofensivos

No setor ofensivo, os dois treinadores também apresentam traços parecidos, mas Tite se destaca por ser mais flexível, segundo o analista.

“Ofensivamente, os dois gostam de ataques mais rápidos. Eu acho o Leonardo Jardim até um pouco mais direto que o Tite. O Tite também gosta desses ataques mais rápidos, só que, recentemente, aí que vem a grande diferença: a gente tem visto um Tite querendo as suas equipes com mais posse de bola, sendo equipes não tão diretas. Tudo bem que o contexto de Flamengo e Seleção pediam isso”, disse.

“No Cruzeiro, a gente vai ver se o Tite vai manter isso ou se ele vai tentar voltar para as suas origens de ataques um pouco mais rápidos. Mas, ele me parece mais maleável do que o Leonardo Jardim nesse quesito”,

Douglas Batista, especialista da Footure

Centroavantes ‘móveis’

Por fim, Douglas também destacou uma preferência tática compartilhada pelos dois treinadores: o uso de centroavantes com mobilidade.

“Os dois gostam de volantes que pisam muito na área. E a questão do centroavante móvel, o Tite fez isso durante 100% da sua carreira”, iniciou.

“No Corinthians, teve o Vagner Love e, em 2011, o Liedson. Na Seleção, ele usou o Gabriel Jesus, depois o Richarlison. No Flamengo, quando o Pedro se machuca, ele opta por colocar o Bruno Henrique como centroavante, porque ele gosta desse jogador buscando a ruptura, buscando o desmarque nas costas do zagueiro. Nesse sentido, ele tem essa semelhança com o Jardim, o que já encaixa bastante com o próprio Kaio Jorge”, finalizou.

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Thaynara Amaral
Thaynara Amaral é repórter do Central da Toca. Jornalista formada pela UFMG, cobriu o Cruzeiro pelo ge.globo e também atuou no Superesportes, do jornal Estado de Minas. Desde 2023, passou a explorar novas áreas da comunicação. Natural de Araxá, saiu do interior movida pelo amor ao Cruzeiro — e foi por ele que escolheu o jornalismo.
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