Ex-treinador do Cruzeiro, Leonardo Jardim está próximo de um acerto com o Flamengo. De acordo com o ge, o treinador já se acertou com o clube carioca e é aguardado no Rio de Janeiro nesta terça-feira (3) para assinar contrato até o fim de 2027, após a demissão de Filipe Luís.
Caso realmente confirme o acerto com o Flamengo, o treinador português passará a comandar outro clube brasileiro meses depois de declarar publicamente, por mais de uma vez, que no país só treinaria o Cruzeiro.
A seguir, relembre as três vezes em que Jardim reforçou seu ‘compromisso’ com a Raposa.
Primeira declaração: “No Brasil, só vou treinar o Cruzeiro”
A primeira declaração ocorreu no dia 10 de agosto, após derrota do Cruzeiro por 2 a 1 diante do Santos, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. Na ocasião, além de descartar qualquer possibilidade de assumir outro clube no país, o treinador afirmou que já se considerava cruzeirense.
“O que é notícia é que, no Brasil, só vou treinar o Cruzeiro. Não vou treinar outro clube no Brasil. E não sei se, depois do Cruzeiro, vou treinar algum outro clube. Neste momento, estou 100% no Cruzeiro. Tenho contrato válido, que também não interessa, porque minha relação com o Pedrinho é mais do que o contrato. Eu não dou 80% e 90%, eu dou 100% no processo do Cruzeiro. Já sou cruzeirense”
Leonardo Jardim
Na mesma entrevista, Jardim ainda comparou sua identificação com clubes por onde passou.
“Se eu for à Grécia, sou Olympiacos. No Catar, sou Al Rayyan. Na França, sou Monaco. No Brasil, sou Cruzeiro e não vou treinar outro time”, ressaltou.
Segunda declaração após vitória sobre o Internacional
Poucos dias depois, na vitória por 2 a 1 sobre o Internacional, no dia 23 de agosto, também no Mineirão, o português voltou a reforçar o vínculo com o clube celeste.
“Pedro Junio e Pedrinho sabem do meu compromisso com o Cruzeiro, com a família e com os cruzeirenses. No Brasil, não treino mais ninguém”, disse.
Terceira declaração antes da saída
A terceira declaração veio no dia 4 de dezembro, após empate por 2 a 2 contra o Botafogo, no Gigante da Pampulha, pouco antes de sua saída oficial do comando da equipe celeste. Embora já houvesse especulações sobre o futuro, Jardim voltou a reforçar que o Cruzeiro seria seu único clube no país.
“Sinceramente, eu consegui concretizar muito das ideias sobre minha vinda ao Brasil. Já tinha dito, a paixão do futebol brasileiro, o próprio país, é extraordinário. Também tive a felicidade de trabalhar num clube extraordinário, que será sempre o meu clube no Brasil. Já fui muito claro em relação a isso. A paixão, os nossos torcedores, o apoio que eles dão…”
Leonardo Jardim
Críticas ao futebol brasileiro
Para além das declarações de fidelidade ao Cruzeiro, Jardim também se tornou crítico do futebol brasileiro. Após o polêmico empate por 0 a 0 contra o Palmeiras, no dia 26 de outubro, no Allianz Parque, o treinador afirmou que repensava a permanência no país diante dos seguidos erros de arbitragem.
“Quando eu cheguei aqui, duas ou três pessoas disseram: ‘Bem-vindo ao Brasil’. Estou muito frustrado. Eu, como treinador, só consigo interferir em algumas coisas”, iniciou.
“A alegria que eu tenho tido no Brasil com os torcedores, com o grupo fantástico no Cruzeiro, com toda essa gente, estou frustrado se vale a pena continuar no Brasil, quando, na realidade, não somos nós que controlamos o jogo”, complementou.
“Eu fico extremamente frustrado. Isso é uma balança. A frustração está quase a igualar o peso da satisfação daquilo que vim ao Brasil para usufruir do jogo, da emoção, dos torcedores e a paixão que as pessoas têm pelo futebol”, seguiu.
Jardim no Cruzeiro
Apesar da boa campanha à frente da equipe celeste em 2025, Leonardo Jardim decidiu encerrar sua passagem pelo clube em dezembro, após a eliminação para o Corinthians, na Neo Química Arena, pela semifinal da Copa do Brasil.
O vínculo do treinador com o Cruzeiro era válido até o fim de 2026, mas foi rescindido em comum acordo. Com apoio da diretoria e respaldo público do presidente Pedro Lourenço, o técnico optou por não seguir no comando da Raposa, alegando questões pessoais.
Ao todo, Leonardo Jardim comandou o Cruzeiro em 58 jogos, sendo três amistosos, com 27 vitórias, 19 empates e 12 derrotas. A equipe marcou 78 gols e sofreu 46, resultando em um aproveitamento de 57,47%.

