De olho nos talentos brasileiros e do futebol mundial, Joaquim Pinto abriu o jogo, em entrevista exclusiva à Samuca TV, sobre como o Cruzeiro vai investir nas categorias de base. Gerente de scout do clube, o português também é o responsável pela captação para atletas das divisões inferiores.
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Antes mesmo de chegar ao Cruzeiro, Joaquim Pinto se notabilizou pelo sucesso na aquisição de jovens atletas que “estouraram” no futebol, especialmente com a camisa do Benfica, de Portugal. Um deles é Enzo Fernández, hoje no Chelsea, da Inglaterra, e revelado pelo River Plate, da Argentina.
No Cruzeiro, o gerente de scout tentará repetir a fórmula que já deu certo em outros países, com total influência no processo de contratação de joias para a base celeste.
“A minha participação é direta. Recebi, também, com todo agrado, esse convite para ser o responsável pelo scout das categorias de base, porque acredito muito na base. Tive uma experiência muito boa no Benfica, quando fiz parte de uma equipe de trabalho que levou o Benfica a ser reconhecido como a melhor academia do mundo. O Benfica liderou por muitos anos o ranking do mundo de quem mais vendeu atletas na formação”
Joaquim Pinto, sobre sucesso na captação de atletas da base do Benfica
“Depois, também em conquistas que, na base, não são tão importantes, como ganhar a Liga dos Campeões Jovens, ter sido reconhecido no Oriente Médio como a melhor academia do mundo. Isso, juntamente com os meus colegas, me deixa muito orgulhoso e projeta para o meu futuro essa vontade de poder – cada clube é um contexto distinto – investir nas categorias de base”, completou.
‘O Cruzeiro, historicamente, tem uma base forte’
Na sequência, Joaquim Pinto ressaltou o reconhecimento do Cruzeiro pelo trabalho na base e as necessidades do clube para essa área neste momento.
“O Cruzeiro, historicamente, é conhecido por ter uma base forte e, juntando a isso, ainda que mais recentemente alguns clubes já investem em atletas de fora e muito neles, os clubes brasileiros têm que continuar aproveitando o talento que Deus proporcionou neste país maravilhoso. O Cruzeiro não pode fugir à regra”
Joaquim Pinto, gerente de scout do Cruzeiro
O gerente de scout do Cruzeiro também fez menção aos objetivos a curto, médio e longo prazo no processo de captação e formação de novos atletas na Toca da Raposa I, em Belo Horizonte.
“Temos que trabalhar em duas velocidades. Uma já direcionada para a prontidão da equipe principal. Atletas para chegar a curto e médio prazo terem rendimento na equipe principal. Depois, temos que trabalhar em outra velocidade, já a médio e longo prazo, atletas recrutados na base. Dentro desse recrutamento, também se pode fazer a distinção do que são atletas contratados desde o sub-7 ao sub-12, sub-13, e atletas contratados do sub-14 ao sub-20”, garantiu.
“A base é uma pirâmide. Nas idades mais baixas, há muita dispersão naquilo que é qualidade. Muitas vezes, esses atletas jogam em escolas, em clubes do lado de casa e, se procurarmos, vamos continuamente encontrar qualidade. São idades tão baixas que, muitas vezes, os atletas que contratamos no sub-7, sub-8, quando chegam no sub-13, já não são os melhores e apareceram outros”, afirmou.
Dificuldade de captação em idades baixas
Por fim, Joaquim Pinto comentou sobre como é difícil captar jovens em idades baixas que, posteriormente, já com intenso monitoramento e evolução na base, renderão técnica e financeiramente para os clubes no futuro. O ponto positivo é o custo baixo ou até mesmo inexistente em diversos casos para a contratação desses talentos.
“O investimento massivo tem que ser nessas idades em que a qualidade está muito dispersa e a identificação do potencial também varia muito. Ninguém consegue ser 70, 80% assertivo. Há outra vantagem: nessas idades, normalmente, os atletas podem ser contratados sem custos ou com custos muito baixos. A partir do sub-14, sub-15, em função da evolução do scout em outros clubes, já começa a ser difícil encontrar atletas para o nível do Cruzeiro”, enfatizou.
“Quando os encontramos, esbarramos naquilo que são as condições financeiras Os clubes sabem que têm um atleta ali que pode vir a dar muito dinheiro, e já nos pedem um dinheiro em que não estamos dispostos a pagar. Esse investimento no scout da base é factual. Estamos direcionando imenso tempo, sem descuidar da equipe principal”, concluiu Pinto.

