Emerson Araújo
Emerson Araujo é colunista no Central da Toca e jornalista formado no UniBH. Produz vídeos sobre o Cruzeiro no Canal Seis a Um desde 2017 e integra a equipe da Samuca TV, ambos no YouTube. Trabalhou como assessor de imprensa de jogadores de futebol, na Câmara Municipal de Belo Horizonte e no Jornal O Tempo. Vive o sonho de trabalhar falando de Cruzeiro.

O Cruzeiro precisa aprender a encerrar ciclos

Em sua coluna, Emerson Araújo pontua falhas na gestão celeste e analisa a aposta em Artur Jorge como forma de consolidar um projeto esportivo no Cruzeiro

A derrota para a Universidad Católica na última quarta-feira, pela Libertadores, foi mais um balde de água fria na torcida do Cruzeiro, que anseia por uma mínima fagulha de esperança para se animar com o time que ama. Após as vitórias sobre Barcelona e Bragantino, a sequência de triunfos em casa foi interrompida por mais um episódio decepcionante, que traz como assinatura falhas repetidas de personagens que há algum tempo testam a fé do torcedor com atuações abaixo da crítica.

Não se trata de individualizar culpas, até porque todos sabemos o quanto no futebol a parte coletiva é imperativa. É muito raro que as coisas no futebol funcionem bem por mérito de apenas um profissional ou desandem por incompetência de apenas um indivíduo. Temos pontuado constantemente sobre as falhas do sistema defensivo e estamos longe de uma consistência sobre o volume de oportunidades que criamos e, mais ainda, sobre o quanto aproveitamos estas chances.

A verdade é que nenhum cruzeirense crava qual será o comportamento do time no jogo contra o Grêmio. Vamos conseguir nos impor, vencer e sair da zona de rebaixamento ou tropeçar nas próprias pernas mais uma vez? Como bem diagnosticado por Artur Jorge, os adversários precisam fazer muito pouco para fazer gols no Cruzeiro. Isto vindo de um time que foi marcado na última temporada pela solidez defensiva e não negociou nenhum dos titulares.

Uma peça determinante que perdemos foi o goleiro Cássio, por lesão. Ele que também vinha sofrendo muitos gols, mas salvava com frequência um time ainda mais desajustado da era Tite. Matheus Cunha recebeu a oportunidade e não deu conta do recado. Após 10 jogos pelo Cruzeiro não conseguiu sequer uma atuação convincente e ainda coroou o momento ruim com uma entrevista em que demonstrou pouca ou nenhuma autocrítica após o jogo contra a Católica.

E de fato, o sistema de pressão do Cruzeiro foi mal e as duas cabeçadas foram disparadas por jogadores desmarcados. Mas um pedido de desculpas cairia melhor do que um apontar de dedos para os companheiros que o defenderam em jogos anteriores. Manter Cunha no gol contra o Grêmio seria uma decisão temerária devido ao péssimo clima que vem sendo alimentado entre o atleta e a torcida. Se a chance for dada a Otávio, que tenhamos paciência para ajudar o cria nesta fogueira.

E é impossível não se lembrar de como se deu o final da passagem de Rafael Cabral pela Toca da Raposa. Goleiro que foi peça chave no retorno a Série A e na permanência em 2023, mas que só deixou o gol do Cruzeiro por iniciativa própria, após um jogo desastroso frente ao Alianza na Copa Sul-Americana. O Cruzeiro seguiu insistindo na titularidade do goleiro até que tudo azedasse de maneira irreversível.

Aprender a encerrar ciclos no futebol não é uma tarefa simples e todos vimos como o comando do Cruzeiro se mostrou completamente perdido após a saída de Leonardo Jardim. Pedro Lourenço e Pedro Junior ainda não demonstram o traquejo necessário para conduzir um departamento de futebol, com todos os mimos que os jogadores estão acostumados, e quem foi contratado para conduzir a pasta, Bruno Spindel, não demonstrou nenhuma competência para isto até o momento.

Aí surge a figura de Artur Jorge como a esperança de que o Cruzeiro consiga de fato construir bases mais sólidas para o sucesso. O clube clama por um projeto esportivo, que basicamente se trata de organizar os recursos, planejar as ações no mercado e compreender o que queremos e como podemos conquistar. A renovação de Artur até 2030 mostra que este também é um desejo do próprio dono do clube, talvez reconhecendo a necessidade de alguém para passar estas diretrizes.

Muito se fala que dar a chave do clube para um treinador é um risco, e de fato é. Mas quando a outra opção se provou uma certeza de fracasso, faz sentido depositar a esperança (e alguns milhões) no treinador português. Que Artur possa identificar as limitações do elenco e atuar no mercado para resolver estes velhos problemas. Assim, alguns jogadores poderão buscar um recomeço em outros times, visto que é improvável que deem a volta por cima com a nossa camisa.

Emerson Araújo
Emerson Araujo é colunista no Central da Toca e jornalista formado no UniBH. Produz vídeos sobre o Cruzeiro no Canal Seis a Um desde 2017 e integra a equipe da Samuca TV, ambos no YouTube. Trabalhou como assessor de imprensa de jogadores de futebol, na Câmara Municipal de Belo Horizonte e no Jornal O Tempo. Vive o sonho de trabalhar falando de Cruzeiro.
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