Neste domingo, às 20h30, o Cruzeiro enfrenta o Fluminense no Mineirão buscando um fechamento perfeito da primeira fase do trabalho de Artur Jorge na Toca da Raposa. Em meio a uma sequência insana de jogos, quase sem tempo para treinar, foram alcançados os objetivos imediatos: a classificação na Copa do Brasil e na Libertadores.
Faltam os três pontos contra o Fluminense para garantir uma distância mais segura da zona de rebaixamento e uma aproximação do G4 do Brasileirão. Algo que parecia irrealista após as oito primeiras rodadas sem vitória, mas se tornou um objetivo alcançável graças à melhor campanha no certame desde a chegada de Artur. Mérito também dos jogadores, obviamente, mas impossível dissociar o quanto o comandante português mudou a cara do nosso time.
Quando Otávio nasceu, em dezembro de 2005, Fábio completava sua primeira temporada como goleiro titular do Cruzeiro. E uma curiosidade interessante é que Otávio foi companheiro e disputou posição com Pablo, filho de Fábio, nas categorias de base do Cruzeiro. E mesmo mais jovem, Otávio era o titular absoluto do sub-17, ainda aos 15 anos.
Sem querer traçar um comparativo, Otávio e Fábio tem outra característica em comum: foram titulares da Seleção Brasileira em disputas de Mundial sub-20. Fábio em 1999, parou nas quartas de final perdendo para o Uruguai. Já Otávio foi o goleiro do Brasil no Mundial de 2025, em que caímos ainda na fase de grupos, sendo eliminados por Marrocos e Espanha.
Poderia existir outra ligação envolvendo a idade e as circunstâncias de entrada no time. Fábio era reserva do Cruzeiro em 2000 na conquista da Copa do Brasil. Estava emprestado pelo União Bandeirante e não chegou a jogar partidas oficiais. No meio do ano foi contratado pelo Vasco e, semanas depois, o titular André sofreu grave lesão. Felipão apostou em Jefferson, de apenas 17 anos. Após oscilações, foi contratado o experiente Fabiano, que também não deu conta do recado.
Fábio provavelmente estava melhor preparado que Jefferson naquele momento, mas não podemos antever o futuro nem reescrever o passado. A vida tratou de escrever um roteiro um pouco diferente, mas ainda assim muito especial com o retorno em 2005. E a entrada de Otávio na meta celeste vem na esteira da lesão de Cássio, após o reserva imediato Matheus Cunha não agarrar a oportunidade.
Existem muitos cruzeirenses que ainda sonham com um retorno de Fábio à Toca da Raposa para encerrar a carreira. No entanto o cenário é muito improvável pelo status de ídolo que o goleiro atingiu nas Laranjeiras e o contrato longo existente no Rio de Janeiro. E existem outros dois obstáculos em Belo Horizonte: Cássio, que está se recuperando bem da lesão, e Otávio, cada dia mostrando mais qualidade.
Nenhum jogador de futebol está pronto aos 20 anos de idade. Otávio ainda precisa e vai evoluir em alguns fundamentos no seu jogo, coisa que se pega com experiência em campo e nos treinamentos. Mas a mentalidade forte dos grandes camisas 1 da nossa história já se fez notar. Fábio já é lenda e parte da história do Cruzeiro, Otávio é o nosso goleiro no presente e a promessa de um futuro grandioso. Que a juventude supere a experiência no duelo de logo mais.

