Os 3 pontos conquistados pelo Cruzeiro contra o Remo foram marcantes por diversos aspectos. Primeira vitória sobre o adversário em Belém, superação de desfalques importantes por suspensões e lesões, gramado em péssima situação, condições climáticas pouco favoráveis… E vencemos. O que nos permite algum fôlego para sair da luta contra o rebaixamento e começar a mirar objetivos mais condizentes com nosso investimento.
O texto de hoje poderia falar sobre a recuperação de um atleta que parecia em fim de ciclo no clube, como João Marcelo. E seria justo, pela excelente atuação. Mas prefiro aguardar um pouco mais a sequência de jogos para que possamos aferir se de fato o zagueiro conseguirá voltar a jogar no nível demonstrado em 2024, em que foi um dos melhores defensores do Brasileirão. A lesão grave o atrapalhou e em um time desorganizado, como vimos na era Tite, todo zagueiro joga exposto e tem uma tendência a parecer pior. Nem Fabrício Bruno conseguia se salvar em meio ao caos.
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Não é segredo para ninguém que o Cruzeiro ainda sofre os efeitos da preparação física ruim dos primeiros meses da temporada. Isso faz com que alguns jogadores estejam jogando no limite. E quando olhamos para o quarteto ofensivo escolhido para o jogo, Christian e Kaio Jorge estavam presentes, mas visivelmente fora das melhores condições físicas. Bruno Rodrigues foi a surpresa, sendo o substituto de Matheus Pereira como um meia-atacante central.
Arroyo parecia nossa melhor aposta, pela sequência de boas atuações contra Grêmio e Goiás. E parecia mais inteiro fisicamente que os outros 3 companheiros do setor. E o golaço do equatoriano, com participação luxuosa de Bruno, foi o necessário para garantir o triunfo essencial na nossa recuperação no Brasileiro. E marcando a seu estilo, com arranque, drible e um arremate fulminante cruzado.
Interessante pontuar que no time de Leonardo Jardim, Arroyo jogou bem como ponta pela esquerda. Mesmo canhoto, marcou gols de pé direito fazendo bem infiltrações como um segundo atacante. Sua melhor versão sempre foi pelo lado direito, assim ele se destacou em seu país e foi parar na Turquia. E durante o Campeonato Mineiro, mesmo jogando pela direita, produziu pouco. Porque um time de futebol não funciona apenas na base do desenho tático. As posturas, coletivas e individuais, com e sem a bola, são mais determinantes que o esquema.
Jogadores como o Arroyo tem grande capacidade de improviso, mas precisam ser estimulados a arriscar. No entanto, se o ponta tem a bola e não vê a aproximação de um meio campista para uma tabela ou a ultrapassagem de um lateral – tudo bem coordenado, obviamente – ele se torna presa fácil para o marcador. Gerar dúvida no adversário é a melhor forma de furar sistemas defensivos. E aqui entra o mérito de Artur Jorge.
No primeiro jogo de Artur comandando o Cruzeiro, contra o Vitória, vazou na transmissão o áudio do treinador pedindo para Arroyo rabiscar. Driblar, balançar a marcação, ir pra cima, todo mundo entendeu. Na ocasião ele não rabiscou muito, tocou atrás para Matheus Pereira que achou lançamento para Christian ajeitar e Kaio Jorge marcar. Desde então, a cada jogo, os rabiscos de Arroyo tem se tornado mais recorrentes e efetivos. Inclusive na derrota contra o São Paulo.
Apenas Christian, com 5, tem mais participações diretas em gol desde a chegada de Artur Jorge. Arroyo e Matheus Pereira vem na sequência com 4 contribuições, ambos com 2 gols e 2 assistências. E ver Arroyo chamando a responsabilidade e decidindo num dia em que não tivemos o camisa 10, foi ainda mais animador. Mostra um atleta que vem crescendo de importância dentro da estrutura do time para se tornar mais protagonista.
Não ter medo de jogo grande foi algo que vimos bem de Arroyo na semifinal da última Copa do Brasil, quando marcou os gols contra o Corinthians. Os desafios estão apenas começando, mas para um jogador de 20 anos recém-completados, Keny Arroyo representa uma esperança gigantesca. Tem drible, técnica, e vem melhorando a tomada de decisão, algo natural para jogadores desta idade.
O Cruzeiro investiu pesado em sua contratação, mas a cada jogo aumenta a sensação de ter valido a pena. Que siga com a cabeça boa, focado em melhorar seu jogo, que Cheche Arroyo pode fazer história com a camisa do Cruzeiro e conquistar alguns dos títulos que nós merecemos e sonhamos. Os grandes se forjam na dificuldade e Arroyo foi gigante contra Grêmio, Goiás e Remo. Que siga evoluindo e se provando contra Boca Juniors, Atlético Mineiro e demais oponentes.

