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Rodízio ou força máxima? O que o Cruzeiro pode aprender com a gestão de elenco no início de Artur Jorge no Botafogo

Em sua coluna, Cruzeiro Stats levantou a sequência inicial de Artur Jorge no Botafogo, em 2024, e comparou com o cenário da Raposa

Recém-chegado ao Cruzeiro, o técnico português Artur Jorge assume o comando da Raposa diante de um cenário familiar, embora intimidador: um calendário asfixiante e a pressão imediata por resultados, especialmente no Brasileirão.

Para o treinador de 54 anos, esse tipo de ambiente não é uma novidade. Ao analisarmos o início de sua trajetória no Botafogo, há cerca de dois anos, percebemos que ele possui o DNA necessário para transformar crises em desempenho sob pressão, lidando com maratonas de jogos sem perder a competitividade.

+Leia também: Artur Jorge pode ser o 1º português a vencer na estreia pelo Cruzeiro em jogos oficiais

Em 2024, ele herdou um Botafogo instável após a saída de Tiago Nunes, que acumulava apenas 42% de aproveitamento, apesar da boa sequência comandada pelo interino Fábio Matias no intervalo entre a saída do antigo treinador e a chegada de Artur. Logo de cara, o Mister encarou uma prova de fogo ao disputar 11 partidas em apenas 35 dias, uma média de um jogo a cada três dias.

No Cruzeiro, o desafio será gigante, com 16 jogos em 57 dias e um desempenho prévio, da equipe, ainda pior. Contudo, o retrospecto do treinador traz otimismo: naquela primeira maratona no Rio de Janeiro, ele alcançou 67% de aproveitamento, com 7 vitórias, 1 empate e 3 derrotas, encaminhando a classificação na Copa do Brasil, a recuperação na Libertadores e um início sólido no Brasileirão que, assim como o torneio continental, seria conquistado por ele ao final do ano.

Essa eficiência se deve a uma gestão de elenco inteligente, que prioriza escalações fortes com rotações pontuais. Com base em sua experiência anterior, é possível projetar como ele deve organizar as peças em meio ao calendário apertado:

Goleiros: Priorizou a continuidade do goleiro. Após um curto período de adaptação, John assumiu a titularidade absoluta e jogou todas as partidas.
Laterais: Promoveu uma competitividade interna, sobretudo na lateral-direita. Costumeiramente, alternou entre Damian Suarez e Mateo Ponte, enquanto na esquerda, manteve o Hugo como titular até promover a estreia de Cuiabano.
Zagueiros: Na maioria dos jogos, Bastos e Lucas Halter foram os titulares, enquanto Barboza iniciou algumas partidas pontuais antes do confronto da Libertadores contra o Universitário, indicando que poderia estar poupando Bastos.
Volantes: É o setor de maior revezamento. Danilo Barbosa e Marlon Freitas jogaram a maioria das partidas como titulares, mas Gregore também foi muito utilizado, entrando em praticamente todos os jogos. Ocorreu um grande revezamento desses 3 atletas para 2 vagas, sendo que Danilo e Marlon atuavam mais como dupla nas partidas relevantes. Tchê Tchê e Eduardo apareceram de forma mais ocasional.
Pontas: Luiz Henrique somente foi poupado antes de decisões na Libertadores, enquanto Jeffinho, que largou como titular, perdeu espaço para Savarino. Óscar Romero, apesar de ter entrado em muitas partidas (8 das 11), foi titular em apenas uma, sendo considerado uma espécie de 12º jogador.
Ataque: Júnior Santos jogou todas as partidas e não foi titular apenas na Copa do Brasil, além de uma rodada do Brasileiro (antecedeu um jogo da Libertadores). Tiquinho começa como dupla de ataque, mas perde a vaga para ter um meio campo mais povoado e para atuar com o esquema de apenas 1 atacante (Júnior Santos). Matheus Nascimento raramente utilizado.

Fiel ao que disse em sua apresentação na Toca da Raposa II, Artur Jorge não pretende menosprezar nenhum torneio. Sua abordagem foca em manter a força máxima sempre que possível, rodando o elenco apenas o necessário para evitar o desgaste excessivo. O histórico mostra que ele sabe navegar em águas turbulentas e, agora, resta ver como essa metodologia será aplicada para conduzir o Cruzeiro ao sucesso nas competições que terá pela frente, sabendo que não há margem para erro no Brasileirão.

Saudações Celestes.

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