Nenhuma vitória nos primeiros cinco jogos de Campeonato Brasileiro, última posição na tabela. Cássio fora da temporada por uma grave lesão no joelho, Lucas Romero também lesionado, Kaio Jorge como dúvida… O cenário é pior do que qualquer torcedor pessimista poderia imaginar no início do ano. O título do Campeonato Mineiro foi uma ilusão que durou dois dias e a derrota para o Flamengo restabeleceu a pressão na Toca da Raposa.
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Pressão esta que fez a comissão técnica de Tite tomar uma série de decisões questionáveis no início de temporada. O planejamento de utilização de reservas e jogadores da base foi por terra muito rapidamente, quando os resultados não vieram e se desenhou um risco de eliminação ainda na primeira fase do Estadual.
Os jogadores de mais renome passaram a jogar todas, com uma minutagem altíssima, enquanto os reservas viraram apenas completadores de treino. O resultado foi uma sequência de vitórias que garantiu o título Mineiro, mas a que custo? Mesmo nos dias em que os 3 pontos foram conquistados contra Betim, América, URT, Pouso Alegre e até na final contra o Atlético, o time não passou confiança e jogou pouco futebol.
Inclusive, nas semifinais contra o Pouso Alegre, um bom primeiro tempo na ida parece ter convencido Tite de que a formação ideal para este Cruzeiro tem Christian e Gerson como meias abertos pelos lados, sem nenhum ponta no time titular. Os laterais William e Kaiki, eram responsáveis por dar amplitude, abrir o campo e quando possível fazer ultrapassagens.
Funcionou contra os times menores no estadual, mas tratar esta como uma tática padrão é um erro na essência. Não enfrentaremos outros times de nível técnico tão baixo em Brasileiro, Copa do Brasil nem Libertadores. E tudo bem que Arroyo e Wanderson não brilharam quando foram titulares, mas a presença de Gerson na ponta esquerda do campo gera incômodo em todos que já viram o camisa 11 no seu auge.
A melhor produção de Gerson na carreira foi na função de segundo volante. Pela capacidade do jogador de ler os espaços e iniciar a construção de jogadas. Com ele na ponta, o time não melhorou o desempenho defensivo, sendo vazado com muita facilidade, e se tornou ainda mais burocrático na hora de atacar. Sim, Gerson fez a bela jogada pela ponta esquerda que resultou no gol do título Mineiro.
Mas impera a sensação de desperdício, de que foram gastos 27 milhões de euros na contratação de um secretário de lateral. Gerson pode jogar muito mais bola, mas em outras funções do campo. E a lesão de Lucas Romero facilitou a escolha para Tite, que pode tentar uma dupla com Lucas Silva. Afinal, o capitão já formou até dupla de volantes até com Eduardo, jogador mais lento e com menos vitalidade.
Todo esquema pode funcionar, desde que bem treinado e com atletas com característica para aplicá-lo. A tática perfeita é aquela que te faz ganhar o jogo, que é exatamente o que o Cruzeiro não fez no Brasileirão. Portanto, contra o Vasco, no Mineirão, todo o contexto pede uma mudança. Um pouco mais de coragem do treinador na hora de definir o time e dos atletas nas tomadas de decisão.
Coragem, que já virou meme em época de Copa do Mundo ao preceder um 7×1 no mesmo Mineirão. Coragem, que Guimarães Rosa descreveu como “aquilo que a vida quer da gente”. Com o perdão da adaptação, “o que o Cruzeirense quer de você, Tite, é vitória”. Um treinador de currículo tão relevante, com todos os títulos possíveis em um clube brasileiro, não pode ficar montando time com medo para manter o emprego por mais 3 dias.
Precisa existir um compromisso no Cruzeiro de alcançar os objetivos propostos na temporada, que hoje parecem distantes. Aí que deveria entrar a diretoria, que parece aguardar os resultados para não se comprometer. Falou grosso após o título estadual, garantiu que em nenhum momento o treinador esteve ameaçado, mas na prática a situação é bem diferente. Estar na zona de rebaixamento deixa todo cruzeirense em desespero e esperamos que todos no clube tenham noção disso.
Portanto, o confronto contra o Vasco no domingo é o mais importante da história do Cruzeiro. Porque é o próximo. Não se emplaca uma sequência de triunfos sem conquistar o primeiro. O cenário ideal para o Cruzeiro é que as coisas funcionem com Tite como treinador e tenhamos um grande resultado. Mas é necessário existir coragem na direção para mudar a rota caso a tão aguardada vitória escape mais uma vez.

