Artur Jorge chegou e já na coletiva de apresentação como treinador do Cruzeiro conseguiu trazer esperanças ao torcedor que vive um 2026 de decepções. Após a passagem de Tite, um absoluto fracasso de público e crítica, a chegada do português foi uma aposta alta da diretoria, que negociou o pagamento de uma multa rescisória importante para tirá-lo do Al Rayyan, do Catar.
Segundo apuração da Central da Toca, o nome de Artur Jorge havia sido debatido após a saída de Leonardo Jardim, mas na época o contexto não permitia a negociação. Agora as arestas foram aparadas e o português desembarcou em Belo Horizonte, falando em trabalhar muito e conquistar resultado rapidamente, o que soa como música para um torcedor que vê seu time na lanterna do Campeonato Brasileiro.
Outro ponto bem abordado por Artur foi a necessidade de abaixar o ego e ter humildade de trabalhar muito para conseguir mais. Creio que não seja um recado para nenhum atleta em específico, mas é um diagnóstico que também compartilhamos nos debates na Samuca TV. Quando o Cruzeiro joga 100% focado, é um time muito forte. Quando deixa cair a concentração, se torna presa fácil. Em sua maioria, este grupo se notabilizou por carregar o que eu chamo de “arrogância da derrota”.
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Mesmo sem terem conquistado absolutamente nada, pareciam saciados, como se já tivessem feito o suficiente por ajudar o time a se manter na Série A, chegar em uma final de Copa Sul-Americana ou terminar um Campeonato Brasileiro em terceiro lugar. Agora este grupo conquistou o Campeonato Mineiro, primeira taça da maioria pelo clube. Espero que tenha vindo junto o entendimento de que um estadual não é nada, se comparado ao investimento da diretoria e à ambição da torcida.
Ver o Cruzeiro voltar a Libertadores e não poder apreciar este momento devido ao péssimo início de Brasileiro é um soco no estômago de cada um de nós. O sorteio no grupo da morte, contra Boca Juniors, Universidad Católica e Barcelona de Guayaquil, reforçou o tamanho do desafio que enfrentaremos. Na Copa do Brasil, o sorteio nos colocou frente ao Goiás, adversário tradicional e atualmente na Série B.
Confesso ter gostado muito de ouvir o novo técnico afastar a possibilidade de priorizar ou descartar alguma competição. Claro que nosso elenco tem carências, mas usar força máxima em todas as partidas não se trata de repetir sempre os mesmos 11 jogadores. Gestão de minutos é uma prática adotada pelos melhores treinadores do mundo e que foi negligenciada pela última comissão técnica. Não atoa temos um grupo de jogadores que se divide entre os extenuados fisicamente e os que raramente entram em campo.
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Vencer partidas é o objetivo, algo que não fizemos nas primeiras 8 oportunidades no Brasileirão. Conseguir uma sequência de vitórias é o caminho para sair da zona de rebaixamento e se desvencilhar o mais rápido possível desta parte da tabela. E analisando os números de Artur Jorge em seus três trabalhos desenvolvidos como treinador principal, temos bons indícios de que os resultados vão melhorar.
Nos 10 primeiros jogos comandando o Braga, em 2022, o retrospecto foi espetacular: 8 vitórias, 1 empate e 1 derrota, com 27 gols marcados e 9 gols sofridos. Quando assumiu o Botafogo, em 2024, teve mais dificuldade, mas colecionou 6 vitórias, 1 empate e 3 derrotas nas primeiras 10 partidas. 18 gols marcados e 9 concedidos. Por fim, no Al Rayyan do Catar, 5 vitórias, 2 empates e 3 derrotas no mesmo recorte. O ataque regulou, marcando 23 gols, mas a defesa foi vazada em 14 oportunidades.
Com foco dividido em 3 competições, Artur Jorge encara nestas 10 primeiras partidas Vitória, São Paulo, Bragantino, Grêmio, Remo e Atlético Mineiro, pelo Brasileirão. Joga contra Barcelona no Equador, Universidad Católica e Boca Juniors em casa, pela Libertadores. E vai a Goiânia encarar o Goiás pelo duelo de ida na Copa do Brasil. Sequência desafiadora, sem jogos fáceis, mas talvez seja o que o time precisa para ganhar consistência.
O treinador deixar claro que sabe como funciona o calendário brasileiro e não usar isso como muleta também foi um indicador positivo. O cruzeirense está cansado de desculpas esfarrapadas, é hora de mudança prática e reação na tabela. E na primeira fagulha de recuperação, o Mineirão estará lotado, apoiando cada jogador como se os erros do passado não existissem mais. O futebol é terreno fértil para segundas chances. Agora é saber aproveitá-las.

